Portugal Exportador Portugal Exportador: porta aberta às PME

Portugal Exportador: porta aberta às PME

Na sua 14.ª edição o foco vai estar em mercados como Angola, Alemanha e Espanha, nos setores agroalimentar, metalomecânico e ecommerce, e uma atenção especial à conjuntura económica internacional.
Portugal Exportador: porta aberta às PME
Portugal Exportador vai na 14.ª edição e é o maior evento ligado à internacionalização das empresas portuguesas que se realiza no nosso país e tem lugar a 27 de novembro próximo, das 9h às 19h, no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL) à Junqueira. A iniciativa da Fundação AIP, é organizada em parceria com o Novo Banco e a AICEP Portugal Global e conta com o Alto Patrocínio de Sua Excelência, o Presidente da República.
O evento é um dia no qual as exportações e as PME estão no centro. Os principais debates são sobre mercados, setores e temas relacionados com a exportação, e em que se encontram no mesmo espaço empresas, consultoras, entidades, empresários de renome e PME que pretendem iniciar o seu processo de internacionalização.
"É importante proporcionar às empresas, sobretudo às PME, uma melhor compreensão do ecossistema exportador e da internacionalização em geral", afirma Jorge Rocha de Matos, presidente da Fundação AIP.
"Para a AICEP, o Portugal Exportador tem uma relevância acrescida pela oportunidade única de juntar num dia várias empresas, em especial PME, e empresários portugueses que vêm de Norte a Sul do país para partilharem experiências e fomentarem negócios. O contacto com interlocutores de diferentes mercados num só espaço é também uma vantagem", sublinha Luís Castro Henriques, presidente da AICEP Portugal Global.
Esta edição é marcada pela conjuntura económica internacional em que vários fatores de risco e de incerteza poderão alterar de forma significativa os próximos anos. "O Brexit, as guerras comerciais, os sinais de recessão na Alemanha, a par de muitos riscos políticos envolvendo vários países e regiões, são apenas alguns aspetos que nos preocupam. Por isso, consideramos que as empresas têm necessidade de gerirem com mais e sobretudo melhor informação atinente aos mercados", refere Jorge Rocha de Matos.

Digitalização e ambiente

No Portugal Exportador de 2019 existe a preocupação em chamar a atenção das empresas, particularmente das PME, para "os desafios da transformação digital ou do ambiente que têm vindo a ganhar relevância económica e estratégica e que têm necessariamente de ser internalizados na cadeia de valor como fatores de competitividade", diz Jorge Rocha de Matos. Acrescenta que este ano optimizaram o programa de forma a que "os visitantes possam estar num maior número de acções; com mais expositores; mais networking de negócio; reforço de compradores internacionais e de web buyers".
O foco nos mercados de Angola, Alemanha e Espanha passou pelo critério de serem dos principais destinos das exportações portuguesas, em que "faz todo o sentido um esforço significativo na dinamização desses mesmos mercados, defendendo ou reforçando quotas e posições", como sublinhou Jorge Rocha de Matos.
Também a escolha de setores se justifica pelo facto de o setor agroalimentar ser "um excelente exemplo de inovação e competitividade cujas exportações cresceram muito significativamente nos últimos dez anos. Já o setor da metalomecânica é muito relevante para a economia, muito dinâmico e, em 2018, representou 33% das exportações totais e 29,1% do volume de negócios da indústria transformadora", disse Luís Castro Henriques.
Salientou que o comércio eletrónico vai ser uma das principais tendências a marcar os próximos 10 anos e "deve ser uma prioridade para as empresas que se querem afirmar internacionalmente, especialmente as PME. Mais do que uma alternativa ao comércio tradicional, o e-commerce deve ser encarado como uma evolução necessária e complementar para as empresas".
Nesta edição vão abordar-se ainda temas como o Brexit, que implica mudanças na relação comercial com um dos mercados tradicionais de exportação. Além de se realizarem sessões sobre os passos e as skills para a exportação, o Portugal Exportador 2019 centra-se sobre os acordos da UE com países terceiros, que é uma forma de diversificar mercados fora da Europa, pois como analisa Luís Castro Henriques, "Portugal tem alguns desafios para continuar a diversificação, seja em termos de exposição geográfica, seja em termos de clientes. Ainda existe um peso muito grande de empresas portuguesas a exportar para um só mercado".
Como diz Luís Castro Henriques, "os empresários portugueses foram os heróis da crise". As exportações têm sido um motor de crescimento da economia, tendo aumentado, nos últimos dez anos, o peso das exportações no PIB de cerca de 30% para 43,7% (no primeiro semestre de 2019).

Mercados em destaque e o efeito Brexit

Alemanha, Angola, Espanha e Reino Unido são mercados importantes para as empresas portuguesas, oferecem oportunidades mas também possuem riscos.


Alemanha: apostar no valor e na qualidade

Quarta economia do mundo com mais de 82 milhões de habitantes, a Alemanha é o maior mercado da União Europeia e o terceiro parceiro comercial de Portugal, atrás de Espanha e França. É um mercado muito dinâmico, exigente e competitivo, com oportunidades de negócio em praticamente todos os setores, tanto nos mais tradicionais, como vestuário, têxtil, calçado, casa, agroalimentar e vinhos, como em setores industriais de ponta de bens de equipamento, componentes automóvel, tecnologias, saúde, ambiente.

Mas como explica Murritz, um alemão consultor de empresas, "é um mercado em que pela sua localização está mais próximo de países como a Polónia, a República Checa, a Roménia, que são concorrenciais com Portugal tanto em volume como em salários e produtividade". Acrescenta que há economias de escala porque as empresas alemãs têm acesso a máquinas mais baratas, automatizadas.

Para entrar no mercado alemão as empresas têm de avaliar se o produto é original, se tecnicamente e, em termos de engenharia, é competitivo e, se em relação à de mão de obra é concorrencial. Diz que as empresas portuguesas têm de apostar "em pouco volume e muito valor, porque é difícil competir em volume até pela distância a que se encontra".

 

Angola tem oportunidades mas o risco deve ser ponderado

Desde 2015 que "importar tornou-se muito mais caro e produzir internamente vai ser mais competitivo, pelo menos do ponto de vista do investidor externo", diz António Santos, chief financial officer da CESO.

As novas políticas públicas angolanas dificultam o mercado de exportação de bens de consumo, mas abrem uma janela de oportunidade para as exportações de bens intermédios e de equipamento, que vão ser necessários para viabilizar os novos investimentos.

A população angolana cresce 3% ao ano pelo que a produção interna não é suficiente para satisfazer a procura crescente de produtos como açúcar, arroz, farinha de milho e trigo, feijão, leite, óleos alimentares, massas alimentares, carnes. "Os riscos financeiros e cambiais têm de ser devidamente ponderados, na atual fragilidade macroeconómica", considera António Santos.

Angola é o nono mercado das exportações portuguesas e uma visita bem preparada a Angola é fundamental para conhecer os principais agentes e os seus interesses, e deve-se ter em conta que Angola é mais do que Luanda e, dependendo do setor, uma visita a outras províncias deve ser feita, aconselha António Santos.

 

Espanha: um mercado com vários mercados

A Aralab fabrica equipamentos climáticos destinados à biotecnologia e investigação em plantas, farmacêutica e indústria, para setores como o automóvel, a aeronáutica, componentes eletrónicos ou materiais de construção.

Espanha é um mercado cerca de quatro vezes maior do que Portugal e é o principal mercado das exportações portuguesas. Por exemplo, na indústria farmacêutica existem mais de 400 empresas em Espanha, contra 30 a 40 empresas em Portugal, considera Luís Branco, administrador da Aralab.

A abordagem da Aralab ao mercado espanhol aconteceu pela proximidade geográfica e cultural, a livre circulação de mercadorias e a mesma moeda. Tem uma equipa comercial espanhola que trabalha em articulação com a equipa comercial portuguesa, bem com uma rede de prestadores de serviço técnico local.

Os riscos são a concorrência e a adaptação aos processos das diferentes regiões espanholas. "Um negócio com uma empresa da região de Madrid não é igual, nem se faz da mesma forma, comparando com uma da Catalunha ou da Andaluzia", refere Luís Branco.

As oportunidades são a dimensão do mercado, o crescimento económico, e apesar da atual instabilidade política, a proximidade e a facilidade de relacionamento são fatores que nos ligam muito mais do que nos separam, diz Luís Branco.

 

O efeito do Brexit

As exportações são essenciais para uma empresa como a Rangel Logistics Solutions. "Entre janeiro e agosto de 2019, 67% da nossa faturação está relacionada com exportações de Portugal para todo o mundo, das quais 50,7% são extracomunitárias e 49,3% intracomunitárias", refere Ricardo José Silva, Rangel key account manager do departamento técnico aduaneiro.

O Reino Unido é o quarto mercado para as exportações portuguesas. Para Ricardo José Silva, no domínio prático, a consequência do Brexit é que as mercadorias serão sujeitas a formalidades aduaneiras à entrada e à saída. "Certamente existirão custos adicionais (marginais) para as empresas com o cumprimento dessas formalidades, mas não serão diferentes dos custos habituais que as PME já suportam no comércio com outros países terceiros", assinala.

Considera que "não se vislumbra que o Brexit tenha um propósito protecionista; pelo contrário, o Reino Unido parece querer tomar as rédeas do seu comércio internacional, libertando-se de uma 'negociação coletiva' feita na sede da UE (através da Comissão), e individualizando as suas negociações com outros blocos comerciais".

Por sua vez a mensagem da AICEP às empresas "é que devem preparar-se, sendo fundamental apostar na diversificação para ganhar novas opções, diminuindo o seu grau de dependência face a alguns mercados e alavancar maiores oportunidades de crescimento", afirma Luís Castro Henriques, presidente da AICEP. Dá como exemplo os mercados de diversificação, como o Canadá, a Coreia do Sul, que têm acordos de livre comércio com a União Europeia e os EUA.

Agenda

Num só dia, num só local.
27 de novembro, das 09h00 às 19h00;
Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL) à Junqueira.

Programa
• Mais de 1 000 visitantes profissionais;
• 3 mercados, 3 sectores, 3 temas;
• Mais de 100 oradores;
• Mais de 100 expositores;
• Consultoria internacional;
• Dinamização de cafés temáticos;
• Web buyers;
• B2B com empresas angolanas;
• Business Angels.

Visitantes
Inscrições para visitantes através do formulário de inscrição disponível online no site do evento em www.portugalexportador.pt.




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