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Horta Osório: "Com menos bancos, a rentabilidade aumentará"

A banca portuguesa precisa de se concentrar para recuperar rentabilidade, defende Horta Osório. Ulrich concorda que o movimento é inevitável, mas não fala sobre o papel do BPI.

Bruno Simão/Negócios
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"Portugal, sendo um país pequeno e cuja economia se contraiu muito, que vive num ambiente de taxas de juro baixas" necessita de maior concentração bancária. António Horta Osório foi o primeiro a defender um aumento da consolidação do sistema bancário português. "Portugal tem cinco grandes bancos e no ano passado, excepto um, todos tiveram prejuízos. Com menos bancos a rentabilidade aumentará", justificou.


O presidente do Lloyds não receia os impactos da concentração no mercado, e acredita que, através de maior consolidação, o sector recuperará rentabilidade sem penalizar a concorrência. "Gosto muito de rentabilidade com concorrência. Quer o Santander Totta em Portugal, quer o Lloyds em Inglaterra são bons exemplos" de que é possível conjugar os objectivos.


É por esta razão que o banqueiro lamenta que o BPI tenha sido excluído da corrida à compra do Novo Banco. Até porque as duas instituições têm "sinergias importantes e racionais", já que a sua carteira de crédito se completa. Mas Horta Osório admite que também haja complementaridade na eventual fusão entre o BPI e o BCP.


Já Fernando Ulrich recusou pronunciar-se sobre os cenários que possam envolver o banco que lidera. Depois de o BPI ter sido excluído do processo do banco de transição, tem em cima da mesa a oferta pública de aquisição (OPA) do CaixaBank e o desafio de Isabel dos Santos para avaliar uma eventual fusão com o BCP. No entanto, o banqueiro concorda que o reforço da concentração de banca é incontornável. "A consolidação no sistema bancário europeu e português é um movimento inexorável. Quais vão ser as operações e quais terão êxito, veremos".


Carlos Rodrigues, presidente do Banco BIG, também optou por não fazer comentários sobre a encruzilhada em que se encontra o concorrente. "O importante é que um banco nacional como é o BPI, que tem vindo em crescente evolução em tamanho e estabilidade, possa continuar a ser um pilar da banca no nosso país. Independentemente do que venha a ser  futuro do BPI", sublinhou.

 

 
Papel comercial e moralidade 
"É uma questão de moralidade". Mais mais. "É uma questão de confiança e de justiça". Foi com esta convicção que António Horta Osório, presidente do Lloyds Bank, falou da necessidade de se resolver a questão do papel comercial "rapidamente". Foram criadas expectativas aos clientes detentores de papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo, acrescenta Horta Osório, acabando por admitir que "uma solução comercial que satisfaça minimamente os interesses e os direitos dessas pessoas, que é urgente, tem um impacto no valor patrimonial do Novo Banco que significará uma maior perda para os contribuintes. Não é o valor que altera o nosso juízo sobre a situação". O banqueiro que está em Inglaterra, e que acredita que aí o caso já teria sido resolvido, diz que os clientes confiaram no gestor de conta "têm direito a ter uma solução comercial que os satisfaça".
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