Vencedor: CCforBIO
Floresta de produção com estratégia de conservação
“O projeto CCforBIO é uma das faces do CESAM, Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, porque representa a interação entre financiadores de natureza distinta, um privado, como a Fundação Belmiro de Azevedo, e outro público, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Ao mesmo tempo, trabalha em colaboração com vários atores e parceiros locais interessados na ciência que desenvolvemos”, explicou Amadeu Soares, diretor do CESAM.
O projeto decorre numa área de pinhal, em Ovar, que ardeu em 2017 e estava invadida por acácia-longifólia. Começou pelo controlo de espécies invasoras, pela plantação de espécies protegidas, como o samouco e a camarinha, e pela recuperação do coelho-bravo, também protegido nesta zona. No caso das acácias, foram ainda testadas estratégias de reutilização e reaproveitamento.
Como explica Bruna Oliveira, investigadora do CESAM, “o projeto CCforBIO integra todas as componentes do restauro ecológico, desde o desenho de toda a intervenção com decisores políticos e agentes locais até à monitorização por deteção remota, com recurso a drones e satélites, e à recolha de informação sobre os vários aspetos da biodiversidade desta zona”. Segundo a investigadora, o projeto enquadra-se e até antecipa o que “será a lei do restauro da natureza, porque temos uma floresta de produção em que introduzimos a componente da conservação, fazendo uma análise custo-benefício”.
. Categoria: Jornalismo
Vencedora: Sara Pelicano
Os novos produtos sustentáveis do eucalipto
O Agroportal, plataforma de informação agrícola e florestal, foi o meio onde a jornalista Sara Pelicano publicou uma reportagem sobre a floresta de eucalipto plantada e gerida, com o título “Floresta da Gestão Ativa no Território aos Novos Bioprodutos de Valor Acrescentado”. Como explicou a jornalista, o fator distintivo estava no termo “gerido”, uma vez que essa dimensão é determinante para o desenvolvimento de uma economia de base florestal. “Esta economia, por um lado, leva pessoas ao território, tornando-o mais resiliente, inclusive face aos incêndios, e permite atividades como a pastorícia, a apicultura ou até o turismo”, disse Sara Pelicano.
Mas um dos principais eixos do artigo está na vertente industrial, que hoje já não se limita ao papel e à madeira. A investigação e o desenvolvimento permitiram o surgimento de novos componentes e produtos, como fibras usadas na indústria têxtil, contribuindo também para tornar este setor mais sustentável, ou embalagens de celulose moldada, mais amigas do ambiente. “Esta é a grande dimensão da floresta que quisemos mostrar. Floresta de eucalipto, sim, mas plantada e gerida, o que permite criar valor acrescentado para a sociedade”, conclui Sara Pelicano.
. Categoria: Economia e Sociedade
Vencedor: Organização Florestal Atlantis
A importância da gestão coletiva do território
Criada em 2009, a Organização Florestal Atlantis (OFA) é uma associação de desenvolvimento florestal sem fins lucrativos, sediada em Cantanhede, com quatro gabinetes de atendimento em Cantanhede, Mealhada, Oliveira do Bairro e Arazede.
“Os nossos serviços vão desde o apoio ao proprietário nos aspetos mais burocráticos e técnico-legais até ao apoio na gestão, manutenção, certificação, consultoria e instalação”, afirma Jorge Sousa, coordenador técnico da OFA.
A dificuldade de gerir a floresta num território muito fragmentado, em contexto de minifúndio, é uma das principais preocupações dos proprietários florestais. Nesse sentido, a OFA criou, em 2024, o projeto Unidades de Gestão Conjunta (UGC), que pretende responder à falta de escala e à dificuldade da gestão individual, promovendo uma abordagem coletiva do território. “O projeto é de adesão voluntária e conta com apoios para a instalação, a gestão e a manutenção dos povoamentos florestais”, explica Jorge Sousa. Numa primeira fase, a associação contou com o apoio da The Navigator Company e, mais tarde, candidatou-se a fundos comunitários para desenvolver a manutenção das áreas de pinho. “Podemos gerir o minifúndio, mas temos de ter uma perspetiva de escala, para tornar todo o processo de gestão mais eficiente e mais sustentável. Gerir de forma desgarrada e individualizada não é o caminho indicado para o futuro”, considera Jorge Sousa.
. Categoria: Escola
Vencedora: Escola Artística Profissional Árvore
Aproximar as novas gerações da floresta verde
O projeto Educativo e Ambiental Maternidade de Árvores foi iniciado por Eliana Silva, professora e coordenadora, no ano letivo de 2021/2022. Aos alunos do primeiro ano compete fazer a sementeira de cerca de 500 a 800 árvores autóctones, como o carvalho-alvarinho e o sobreiro. Depois, envolvem-se no tratamento das plantas, e, geralmente, em novembro, plantam as árvores na Serra do Gerês, com a colaboração direta da Casa Comum da Humanidade, liderada por Pedro Sousa, e do agrupamento de baldios da Serra do Gerês.
Este projeto surgiu assente em dois pilares. O primeiro é o pilar humano. Como explica Eliana Silva, “os alunos cada vez mais se afastam das origens, das florestas, do espaço exterior, e aproximam-se do mundo digital e virtual. E queremos fazer essa aproximação”. O segundo pilar é a floresta. “Queremos mitigar, de alguma forma, o impacto negativo que o ser humano tem na floresta, cá em Portugal, todos os anos. Não estamos só a plantar árvores, estamos a plantar o nosso futuro e a nossa missão é a floresta verde” concluiu Eliana Silva.
. Categoria: Escola
Menção Honrosa: Agrupamento de Escolas de Valbom
O poder do arrefecimento verde
O projeto Laboratório de Arrefecimento Verde assenta num viveiro de árvores autóctones e procura levar estes conteúdos para as aulas de Físico-Química, mas também de Ciências Naturais, Biologia e Geografia. No estudo das alterações climáticas e da concentração de CO2 na atmosfera, os alunos verificaram que a evolução deste gás ao longo do ano não é linear, registando-se um decréscimo entre abril e outubro. Segundo Ernesto Magalhães, professor e coordenador do projeto, essa variação explica-se pela fotossíntese realizada pelas árvores, sobretudo no Hemisfério Norte, que contribui para a redução do CO2 na atmosfera. “É impressionante verificar que, entre abril e outubro, os níveis de CO2 descem devido ao papel das árvores. Daí a importância e a urgência de plantar mais árvores”, considera Ernesto Magalhães.