Antes de criar a sua consultora em 2008, Ari Wallach, que fez a licenciatura em Estudos de Paz e Conflito, na Universidade de Berkeley, trabalhou num hospital, numa empresa de arquitectura, fez trabalho político com Clinton-Gore e Obama, um think tank em Washington, fundou uma start-up que era um fórum de eventos políticos, esteve na Coro, uma entidade sem fins lucrativos, e tentou obter financiamento para uma TV chamada ReThink.
De todas estas experiências concluiu que "não há solução rápida para os desafios mais complexos da nossa sociedade. Nenhuma inovação tecnológica ou ideologia política irá resolver os nossos problemas". Em Abril de 2013, Ari Wallach escreveu um artigo na Wired, que intitulou "Forget Short-Termism: It's Time to Think Longpath", sobre a necessidade de voltar ao longo prazo para enfrentar os desafios que hoje enfrentamos. No verão de 2017 foi lançada a Longpath, como um centro de acção em rede, focado em ajudar indivíduos e líderes organizacionais na tomada de decisões críticas que levem em conta o impacto transgeracional. Este centro procura capacitar "os seres humanos para encontrarem soluções. O Longpath permite que cada indivíduo adopte novas maneiras de pensar e de se comportar, equipando-o para enfrentar as crises mais desafiantes que possa enfrentar".
É possível ter em conta o longo prazo? Não vivem a sociedade, o sistema económico e o modo de vida a curto prazo? O longo prazo é possível?
A visão de curto prazo é uma força poderosa. Impulsiona a nossa vida política actual, os ciclos eleitorais e até os relacionamentos interpessoais. Dito isto, ao longo da nossa história, temos exemplos significativos da capacidade humana de pensar e agir a longo prazo.
As antigas catedrais da Europa levaram décadas para serem construídas; a ferrovia transcontinental americana esteve em construção durante quase meio século. Nós sempre tivemos a capacidade de construir e investir nas gerações vindouras, mas, para isso, precisamos de fortalecer a nossa conexão com os diversos futuros potenciais e pensar para além das crises do presente.
Na sua opinião os grandes problemas actuais só serão resolvidos com estratégia de longo prazo porque são transversais e implicam amplo consenso. Mas hoje o multilateralismo e os acordos globais são questionados. É possível nesta situação ter políticas de longo prazo?
É verdade que hoje muitas das nossas antigas ideias, normas, instituições e narrativas, como o multilateralismo e os acordos globais, estão a ser questionadas. Estamos num momento de refluxo social, em que os paradigmas, que usámos durante séculos para tomar decisões e resolver problemas, entram em colapso.
Longpath tem um nome para este momento: o Intertidal ou Zona entremarés. Os humanos experimentaram períodos intertidais ao longo da história, quando o instituído cedeu e os exemplos incluem as revoluções científicas e industriais. Nestes momentos de refluxo e incerteza, é mais importante do que nunca que desenvolvamos visões de longo prazo para os futuros que queremos co-criar. Se nos concentrarmos apenas no curto prazo e nos desafios do dia-a-dia, então não seremos capazes de passar deste momento de crise para o futuro do florescimento das gerações vindouras.
Como ajudaria um CEO a convencer os funcionários e accionistas a pensar além do trimestre e do ano?
Dos negócios à economia social, a investigação mostra os benefícios do investimento sustentado a longo prazo. Em 2014, a McKinsey fez uma pesquisa em que comparou as empresas que definiram como focadas no longo prazo e as mais focadas nos lucros trimestrais e de curto prazo. As empresas focadas no longo prazo tiveram um crescimento médio de receitas de 47% e de lucros da ordem dos 36%, superiores aos das empresas focadas no curto prazo. As empresas de longo prazo também tiveram retornos mais relevantes para a sociedade. Acrescentaram, entre 2001 e 2015, quase mais 12 mil empregos à economia do que as firmas mais de curto prazo.
O foco no longo prazo também permite que uma empresa defina com mais clareza a sua finalidade social e considere o impacto que funcionários e accionistas querem ter na empresa, seja através de comportamentos ambientalmente responsáveis ou através da participação na comunidade e da responsabilidade social.
Como é que a sua empresa Synthesis se diferencia de outras empresas de consultoria, nomeadamente as grandes empresas?
A Synthesis Corp é única porque não fornecemos relatórios de primeira linha e white papers aos nossos clientes. Em vez disso, construímos os processos e metodologias que permitirão aos nossos clientes inovar a longo prazo.
Criamos laboratórios que permitem aos nossos clientes abordar o seu trabalho com agilidade e imaginação. Temos tido sucesso com clientes, que vão desde grandes fundações a empresas e agências governamentais, porque identificamos as megatendências que dão impulso aos nossos futuros globais e capacitam os nossos clientes para manifestarem as suas visões mais ousadas e esperançosas do mundo de amanhã.