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Sound Particles: Som nacional na Guerra dos Tronos

Start-up com software para simulação de sons entra em produções de cinema e em séries como a Guerra dos Tronos. Ganhou um financiamento europeu de 1,25 milhões.

Helena C. Peralta 31 de Julho de 2019 às 14:45
Nuno Fonseca desenvolveu um software único para criar som 3D. Ricardo Almeida
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Nuno Fonseca, 44 anos, completou o curso de Engenharia Eletrotécnica, e fez ainda um mestrado e um doutoramento em Informática. Apaixonado por som, música e cinema conseguiu juntar os dois mundos com a criação da Sound Particles. "Há cerca de 12 anos apercebi-me que os efeitos especiais mais interessantes do cinema eram desenvolvidos com uma técnica de sistemas de partículas, uma técnica de computação gráfica em que se geram milhares de pontos que criam a ilusão de fogo, tempestades de areia, etc. Achei interessante fazer o mesmo com o som, potenciando milhares de pequenos sons e que, todos juntos, criassem uma ilusão mais interessante", recorda o empreendedor.

Como ninguém, a nível mundial, estava a utilizar esta técnica para a área do som, pensou em desenvolver o seu próprio simulador de partículas, enquanto dava aulas no Politécnico de Leiria e na Escola Superior de Música de Lisboa. "Comecei a desenvolver esse software nos meus tempos livres, até que, em 2014, fui a uma conferência em Los Angeles e aproveitei a viagem para fazer alguns contactos nos grandes estúdios de cinema", explica Nuno Fonseca. Antes de partir enviou emails a pedir para ser recebido pois tinha um projeto interessante. A primeira resposta que obteve não podia ter sido melhor: a Skywalker Sound, a empresa do grupo de George Lucas criada para a Guerra da Estrelas, convidou-o a fazer uma apresentação. E, com este cartão de visita, não foi difícil abrir as portas de Hollywood, tendo, em apenas seis meses, entrado na Warner Brothers, na Universal, na Paramount, na Fox, na Sony, na Disney e na Pixar. Tem o seu software ligado a produções como a Guerra dos Tronos e a Batman Versus Superman.

A Sound Particles tem o objetivo de deixar de ter um software de nicho e quer alargar às massas.

Com o conceito desenvolvido e o protótipo na mão, estes clientes internacionais testaram o software e, em 2015, surgiu a primeira versão comercial na Mac App Store. A empresa Sound Particles só nasceu em 2016 com recurso a investimento próprio, e instalou-se na Incubadora D. Dinis, em Leiria. "Nesta fase já estava a vender o software e tinha já algumas receitas para reinvestir", explica.

Novo produto na calha

Este não foi um negócio a começar por baixo: entrou primeiro no campeonato dos grandes, o que lhe abriu caminho para todos os outros mercados. Depois do sucesso alcançado, Nuno Fonseca procura agora desenvolver um produto mais destinado ao consumo de massas, uma vez que o software de áudio 3D está muito direcionado para grandes produções de cinema. "Queremos deixar de ser um produto de nicho e alargar as funcionalidades. Este software tem cada vez mais adeptos nos videojogos e na animação. Estamos em conversações com estúdios de animação para que utilizem este software", afirma.

Tome nota

Inovação "made in" Leiria 

O software da Sound Particles utiliza, na criação de sons, as mesmas técnicas de computação gráfica trabalhadas habitualmente para criar imagem.

Tornar o som épico
Não existia, nem existe produto semelhante a este. Numa batalha da Guerra dos Tronos, usando um programa de áudio comum, vai-se introduzindo o som de explosão, um tiro aqui, outro acolá. "Passados dois dias de trabalho teremos 60 sons ao mesmo tempo. Com este software consigo em poucos minutos criar, por exemplo, 10 mil sons espalhados por um quilómetro quadrado, criando a ilusão de uma batalha épica", explica Nuno Fonseca. Para este tipo de software, quanto mais épico for o filme, maior a vantagem.

Ronda de 400 mil de investimento
A empresa fechou uma ronda de investimento de 400 mil euros com a Indico Partners e a Red Angels. Estas duas empresas de capital de risco ficaram com uma fatia de 25%, mantendo-se 75% no fundador. A start-up viu também aprovado um projeto de 1,8 milhões de euros pela Comissão Europeia, que lhe atribuiu um financiamento de 1,25 milhões de euros para o desenvolvimento de novas funcionalidades e para aumentar a equipa de 11 para 20 elementos até ao final do ano.

A Califórnia é o principal mercado
Cerca de 60% das receitas vêm da Califórnia, sobretudo de Los Angeles e de São Francisco. Segue-se Londres com 10%. "O mercado doméstico nem chega a 1%. Mas estamos atentos à Alemanha, à China, ao Japão e à Índia", afirma Nuno Fonseca.

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