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Flymaster: "Master" da orientação aérea prepara novos voos

Há dez anos que a Flymaster lidera as vendas de instrumentos de apoio à navegação para a aviação ligeira de lazer, como o parapente ou a asa-delta. Agora, estuda novas rotas de crescimento.

Rute Barbedo 29 de Janeiro de 2019 às 13:00
Nuno Gomes explica porque as horas de trabalho foram o grande investimento. Ricardo JR
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Numa das salas de investigação e desenvolvimento da Flymaster, Miguel mostra "o 2D e o 3D a funcionar" num ecrã de computador. É uma competição de parapente no Brasil, em que dados como a altitude, a velocidade ou as condições atmosféricas são de fácil acesso e o espectador pode escolher o ângulo da câmara de modo a fazer o seu "filme". A tecnologia chama-se Live Tracking e, pelo menos no parapente, é única no mundo. "É interessante tanto pela espetacularidade das provas, como por razões de segurança, porque permite detetar acidentes", explica Nuno Gomes, cofundador da empresa.

Esta é uma das principais inovações e uma tentativa de diversificar a área de negócio, que tem privilegiado o desenvolvimento, produção e comercialização de instrumentos de apoio à navegação para a aviação de lazer, como o parapente ou a asa-delta. Isto porque o sistema Live Tracking tanto pode ser utilizado noutros desportos - aéreos, terrestres e aquáticos - como na proteção civil. Recentemente, a empresa estabeleceu uma parceria com uma operadora de telecomunicações em Portugal tornando possível acompanhar o movimento de uma equipa de bombeiros no combate às chamas ou detetar situações de alarme em lares de idosos. "Temos feito algumas tentativas de sair do mercado do voo livre e esta é uma delas", concretiza Nuno Gomes.

De pilotos para pilotos

Os constantes empreendimentos da Flymaster implicam investir sem pausas naquele que é um dos seus maiores ativos: o tempo de investigação. Foi assim, aliás, que a empresa começou, em 2007. Quatro praticantes de parapente juntaram-se e investiram horas de trabalho à volta de um nicho para onde poucos ainda tinham olhado. Tiveram apoio da iniciativa Neotec, para empresas de base tecnológica, e depois "aconteceu uma data de coisas", como a colaboração com uma empresa portuguesa especializada em sistemas de navegação, que colocou a Flymaster na China.

"Isto é como os telefones. A cada dois ou três anos, lançamos um produto novo", diz o cofundador. 

"A partir daí a empresa começou a crescer. Passámos de desconhecidos para líderes" e em 2012 atingiram uma faturação recorde de 1,2 milhões de euros (quatro anos antes, tinha sido de cerca de 40 mil euros). Em 2014, depois de um investimento de quase um milhão de euros em equipamento, passaram a produzir quase tudo internamente, sendo hoje uma das poucas empresas do ramo a fazê- -lo, garante Nuno Gomes.

Na zona de produção, máquinas enormes criam placas pequenas. Como numa fábrica, há (duas) linhas de montagem, a área de inspeção final e também um aparelho de raio X para a manutenção e reparação de equipamentos usados.

Desde 2009, o difícil é sair do primeiro lugar. Mas a sensação de segurança não paralisa a empresa. "Isto é como os telefones. A cada dois ou três anos, lançamos um produto novo." E ninguém sabe para onde poderão voar.

Tome nota

Da descolagem à flexibilidade 

Começaram na casa de um dos sócios fundadores e hoje vendem para mais de 100 países. Grande parte da clientela da Flymaster voa nos Alpes.

O arranque
"Inicialmente, o grande investimento foi em horas de trabalho", conta Nuno Gomes, cofundador da Flymaster. Juntamente com o capital de um dos quatro sócios da empresa, Ricardo Figueiredo - ex-líder de uma das maiores empresas de São João da Madeira, a Fepsa, e presidente da autarquia local entre 2013 e 2017 -, a base "foi suficiente para as primeiras produções". A partir daí, foi responder à procura do mercado através do contacto com distribuidores e escolas de voo livre.

O império alpino
A empresa exporta mais de 99% dos seus produtos para mais de 100 países. Como a Alemanha, a Suíça e França são os locais que concentram mais pilotos de aviação ligeira de lazer, são estes os seus principais mercados. "Dos 100 mil pilotos que existem no mundo, 60 mil estarão nos Alpes", ilustra Nuno Gomes.

Produção "caseira"
Desde 2014, a empresa produz praticamente na totalidade (só a injeção de plásticos acontece no exterior) os seus GPS e outros aparelhos. Do ponto de vista financeiro, não sabe se compensa, mas pelo menos livra-se de algumas dores de cabeça, como exemplifica Nuno Gomes: "Seria muito mais barato produzir na China, mas também já chegaram de lá 5.000 placas com defeito…" Por outro lado, como este mercado vive de pequenas quantidades, encomendar à Ásia obrigava a ter "stocks muito grandes" e a perder flexibilidade. 

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