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ENC Energy investe 60 milhões na América Latina

A ENC Energy, que produz energia a partir de resíduos urbanos, vai investir 60 milhões de euros no Brasil, México e Chile nos próximos três anos. Sobretudo no Brasil, “o potencial é enorme”.

Teresa Silveira | Paulo Duarte - fotografia 27 de Novembro de 2019 às 15:00
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Se é dos que ainda pensa que os resíduos urbanos depositados nos aterros não têm utilidade, desengane-se. Seguramente alguma da energia elétrica que utiliza em casa ou na sua empresa vem da transformação do biogás, um complexo de diferentes gases criados pela ação de micro-organismos dentro dos aterros sanitários, incolor, corrosivo (contém sulfureto de hidrogénio) e que é composto sobretudo por metano (50-60%) e dióxido de carbono (30-40%).

É aqui que opera a ENC Energy, empresa que faz a captura eficiente do biogás dos aterros ("landfill gas"), onde os lixos são depositados, e que, através de "tecnologia energética madura e competitiva", permite a produção estável de energia (24 horas/dia e 365 dias/ano), com menores custos de gestão de rede de transmissão e com impactos ambientais diretos e indiretos positivos. O que também "permite reduzir dramaticamente o impacto ambiental da gestão de resíduos", uma das atividades em que a emissão de gases de efeito estufa é mais significativa, refere o CEO, Jorge Matos. Faturam 9,7 milhões , empregam 63 pessoas e têm operação em Portugal, Espanha, Brasil, México e Chile. Nos três países da América Latina, o investimento realizado e estimado para os próximos três anos ascende aos 60 milhões. Exportaram 8,7 milhões em 2018.

"Muitas estratégias para a redução da produção de resíduos têm sido implementadas, mas, ainda assim, a produção de resíduos é inevitável, o que torna essencial criar e implementar novos modelos para a reintrodução desses resíduos em ciclos produtivos", diz o CEO, notando que "a mudança de paradigma económico e o ‘shift’ de uma economia linear para um modelo de economia circular está totalmente alinhada" com a missão e âmbito de atividade da empresa.

É que, "ao instalarmos centrais de valorização energética para biogás de aterro, não só evitamos as emissões difusas de metano, um dos gases de efeito estufa com maior impacto (21 vezes superior ao do dióxido de carbono), como transformamos um efluente gasoso das operações de gestão de resíduos num recurso energético renovável".

E mais. A evolução tecnológica nesta área "permite-nos falar, não apenas de produção de energia térmica ou elétrica, mas também na produção de combustíveis como bioetanol, biometano ou hidrogénio, por si só matérias-primas que podem ser reintroduzidas em processos produtivos de indústrias do setor energético ou químico".

Num momento em que "a descarbonização da economia é fundamental e urgente", é essencial "o ‘shift’ para a neutralidade carbónica".

Tome nota

Prioridade para o Brasil, Chile e México

A ECN Energy tem 16 anos de atividade. O grupo é especializado em soluções para a geração de energia a partir da valorização de resíduos.

Volume de negócios estável em 2019
A ENC Energy registou um volume de negócios de 9,7 milhões de euros em 2018. Para 2019, as perspetivas são "de manutenção do mesmo volume". Exportaram 8,7 milhões de euros no ano passado, essencialmente para o Brasil, Chile e Espanha.

Recrutar e reter talento
"A forma como contornamos a dificuldade em recrutar e reter os profissionais bastante disputados - e que parece resultar - baseia-se sobretudo na criação de uma cultura organizacional coesa, baseada em valores fundamentais com os quais a generalidade das pessoas se identifica", diz o CEO da ECN Energy, Jorge Matos.

"Criamos condições para o desenvolvimento pessoal de cada colaborador, da organização e da sociedade como um todo; agimos com intenção e ética para concretizar projetos com impacto e significado", diz ainda o mesmo responsável.

Aumento de capital no Brasil
Em 2018, foi concretizada uma operação de aumento de capital na ENC Brasil pelo fundo de "private equity" internacional Global Environment Fund. No mesmo ano foi criada a subsidiária ENC Nordeste em "joint venture" com o fundo de "private equity" brasileiro Vinci Capital.


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