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As novas empresas escolas

Hoje, os gestores fazem-se e aprendem em vários tipos de empresas. Mas há percursos mais internacionais que passam pelas grandes consultoras globais ou podem ser caminhos mais especializados nas grandes empresas portuguesas.

Filipe S. Fernandes 02 de Julho de 2014 às 09:40
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Há no imaginário dos negócios e da gestão das empresas portuguesas, os paradigmas de escolas empresas como foram a CUF, de onde emergiu grande parte da tecnocracia, ou do BPA, que durante anos foi alfobre de famosos banqueiros portugueses de uma certa época da história da finança portuguesa. Numa entrevista, António de Sousa, administrador da ECS Capital, disse "continuamos a ter alguns problemas estruturais na área da gestão que tem muito a ver com a falta de empresas de dimensão que são autênticas fábricas de fazer gestores. Existem uma meia dúzia, mas não se tem mais. Mas sem dimensão não se consegue ter este tipo de organizações". Inserem-se nesta categoria os líderes de distribuição como a Sonae e a Jerónimo Martins, a PT nas telecomunicações, a Galp Energia e a EDP na energia e a Mota-Engil na construção.


Mas cada vez mais há gestores portugueses que fazem o seu tirocínio de gestão em empresas internacionais. Um sinal de modernidade e de integração de Portugal nos circuitos internacionais da formação e da gestão é o facto crescente de gestores portugueses fazerem a sua iniciação nas que são consideradas como fábricas de excelência dos gestores como a McKinsey, a BCG ou a Goldman Sachs ou a Merril Lynch. É uma tendência que se iniciou com força nos anos 1990 e hoje a linhagem das elites empresariais começa a ser feita por quem passou por estas escolas.


No entanto, as grandes empresas de matriz portuguesas também têm modelos fortes de formação. Para Vítor Sevilhano, hoje o modelo de formação de gestores mudou, pois são as empresas que criam as suas próprias universidades corporativas, "não têm edifícios como as universidades da IBM e da Unisys, mas têm o conceito académico". Estão neste caso empresas como a Galp, com a sua academia Galp, a EDP com a universidade EDP e a Sonae. Vítor Sevilhano dá o exemplo da eléctrica portuguesa para referir que os seus cursos têm uma parte técnica para reforço das partes técnicas e uma parte de liderança para os quadros superiores para reforçar as suas competências, além de cursos avulsos.


Estas árvores não devem esconder a floresta. Para Vítor Sevilhano, há uma outra realidade que não tem a ver com estas das grande e médias empresas que através da suas academias ou de cursos de formação para executivos que as universidades tradicionais de gestão oferecem. É o grande iceberg das PME em que a atitude da empresa depende da personalidade do líder. Se o líder é forte e autocrático e considerar que sabe tudo não é fácil a abertura para a formação. Se pelo contrário estiver aberto à mudança é mais fácil instilar novas ideias e a formação dos seus quadros e colaboradores.

 

 

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Liderança


Fábricas de excelência de gestores

 

A McKinsey e a Goldman Sachs foram duas escolas para muitos gestores portugueses que hoje estão colocados nas maiores empresas nacionais e em multinacionais. Conheça aqui alguns dos gestores que fizeram esse trajecto.

 

McKinsey
Diogo Silveira, CEO da Portucel, António Casanova, CEO da Unilever Jerónimo Martins; Isabel Vaz, CEO da Espírito Santo Saúde; Tomás Branquinho da Fonseca, administrador da ES Saúde; Joaquim Paiva Chaves, CEO da Espart; Rui Teixeira, CFO da EDP Renováveis; Maria João Carioca, administradora da CGD; Gastão Taveira, presidente da Altitude Software; António Viana Baptista, presidente do Credit Suisse Iberia, administrador na Semapa e Jerónimo Martins; Miguel Lucas do Oxy Capital, Miguel Setas, CEO na EDP Energias do Brasil, Rui Diniz, administrador da Efacec Capital, Henrique de Castro, ex Yahoo!, António Simões, presidente do HSBC; Manuel Ramalho Eanes e José Pereira da Costa, administradores da Nos.


Goldman Sachs
António Esteves, partner da Goldman Sachs, António Horta Osório, CEO do Lloyds, Carlos Moedas, Miguel Pais do Amaral Perella com o português Paulo Pereira, Jose Barreto, IBD at Goldman Sachs; Sérgio Tavares Rebelo, consultor do Global Markets Institute do Goldman Sachs e administrador não executivo na Jerónimo Martins; João Moreira Rato, presidente do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), José Luís Arnaut, consultor da Goldman Sachs.

 

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