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José Manuel Bernardo: as práticas de financiamento mudaram

O sistema financeiro está mais robusto embora existam algumas dificuldades no financiamento à economia portuguesa. Mas a grande mudança deu-se nas práticas de gestão de risco, diz presidente da PwC Portugal.

Filipe S. Fernandes 20 de Março de 2019 às 13:00
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Cinco anos depois da saída do programa da troika, "continua a haver algumas dificuldades no financiamento à economia portuguesa", admite José Manuel Bernardo. Mas considera que o sistema financeiro está muito mais robusto do que estava há cinco anos, apesar dos eventos à volta do Montepio Geral, do Novo Banco e dos devedores da CGD.

 

José Manuel Bernardo sublinha que o processo decisório a nível dos financiamentos mudou neste período com a evolução do ambiente regulatório e da análise da gestão de risco. "As práticas de gestão de risco mudaram. No passado, os financiamentos eram avaliados tendo em conta sobretudo os colaterais que os clientes apresentavam, em vez de business plans robustos, que fossem percetíveis para quem os analisa", recorda.

 

Hoje em dia, quando se olha para um financiamento, numa perspetiva de análise de risco já não se pensa unicamente no colateral, olha-se para o que é o projeto, quais os fundos que liberta, qual  o seu nível de sustentabilidade. Por isso José Manuel Bernardo considera que "as empresas também precisam de fazer um caminho no sentido de serem capazes de mostrar aos bancos projetos credíveis, com capacidade de autofinanciamento a níveis aceitáveis, rácios de dívida razoáveis, e libertação de cash flows suficientes para o serviço da dívida. Tem de haver uma evolução na prática de gestão das empresas e a credibilização da informação, como as demonstrações financeiras que as empresas fornecem".

 

José Manuel Bernardo é de opinião de que Portugal tem sabido aproveitar "as condições que temos e aquilo que sabemos fazer". Mas tem de fazer mais. É importante a promoção de Portugal como um destino de empresas que queiram ter pesquisa, desenvolvimento e serviços partilhados, porque temos boas condições para isso, pois temos jovens bem preparados.

 

Considera que se tem de fazer uma aposta muito grande fora do Porto e de Lisboa, até porque há universidades fora destes centros que produzem bons técnicos. "Hoje, no litoral, é difícil a vida para os jovens, os custos do imobiliário são elevados, por isso temos de criar incentivos para criar emprego perto dessas universidades e levar as empresas para esses sítios, em vez de ficarem no litoral", sugere José Manuel Bernardo.

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