Vencedores do 14.º Prémio Nacional da Agricultura
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Fundado em 1977, o banco guarda uma coleção de mais de 47 mil amostras de 150 espécies e 90 géneros de cereais, plantas, fibras, e culturas hortícolas.
“O Banco Português de Germoplasma Vegetal, que está no INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária), desenvolve a sua missão de Estado na conservação dos recursos genéticos e, nesse contexto, desenvolve uma série de atividades e aplica uma série de conceitos, nomeadamente de colheita, conservação, avaliação e caracterização, documentação e valorização dos recursos genéticos”, afirma Ana Maria Barata, coordenadora do BPGV.
Entre as tipologias de coleções estão coleções de sementes, que são conservadas em frio, a médio e a longo prazo, e coleções de propagação vegetativa, que se conservam em condições de campo e in vitro e em crioconservação.
O futuro na digitalização
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Fundado em 1977, guarda uma coleção de mais de 47 mil amostras de 150 espécies e 90 géneros de cereais, plantas aromáticas e medicinais, fibras, forragens, pastagens e culturas hortícolas, e conta com 25 colaboradores. Este projeto “foi pioneiro e continua a ser” porque “somos um dos 170 bancos com maiores coleções no mundo, de um total de 1.740 que existem”.
Segundo Ana Maria Barata, os “grandes objetivos são a digitalização e a inovação tecnológica em termos de metodologias que são aplicadas no Banco Português de Germoplasma Vegetal”. Sublinhou ainda que, em termos de inovação, “o circuito de trabalho que é desenvolvido aqui no Banco é feito recorrendo a tabletes que nos permitem fazer a introdução da informação diretamente na nossa plataforma”.
A plataforma está online na página do INIAV, em https://bpgv.iniav.pt, onde está a informação das “colheitas e da caracterização do material existente aqui no Banco, para além, também, das coleções que existem a nível nacional, sobretudo coleções clonais, que estão espalhadas pelas várias regiões, e que tão importante é manter e valorizar”.
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A escassez de mão-de-obra qualificada está a levar setores tradicionais a recorrer à tecnologia. No Queijo Serpa DOP, a inteligência artificial apoia a cura, reduz perdas e reforça a qualidade.
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Este projeto foi criado porque cada vez mais temos dificuldade em ter mão-de-obra qualificada e, nesse sentido, foi necessário recorrer à inteligência artificial para criar uma ferramenta que permita este apoio aos produtores”, disse Madalena Castelhano, da Associação de Produtores de Queijo Serpa, sobre o “Projeto QI 4.0 - Queijo Serpa DOP - A Inteligência Artificial na Produção Artesanal”, da Associação de Produtores de Queijo Serpa, em parceria com o Instituto Politécnico de Beja e financiado pela Fundação “la Caixa”, através da iniciativa Promove o Interior, projeto que foi o grande vencedor na categoria de Novos Projetos do Prémio Nacional da Agricultura.
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Como explicou João Dias, docente e investigador do Instituto Politécnico de Beja, foi feito um levantamento das características que o queijo de Serpa deve cumprir. “Foi instalado um conjunto de sensores na câmara e é esse conjunto de sensores que vai fornecer toda a informação de que o sistema precisa para depois poder dar ao produtor as condições ideais para que, no fim, haja a garantia de um bom produto. Foi necessário criar o tal big data, a informação capaz de, a seguir, ensinar o modelo a definir as condições que, no fim, dão um bom queijo”.
Para Madalena Castelhano, “os grandes objetivos deste projeto são garantir a qualidade da cura, sem se perder o saber-fazer tradicional desta região. Também têm como objetivo reduzir os erros e as perdas, diminuindo o desperdício alimentar, e criar conhecimento tecnológico. Este projeto procura a inovação com raízes no território, a manutenção do saber-fazer tradicional e o saber ao serviço dos produtores”.
A Associação de Produtores de Queijo Serpa, criada em 2020, é uma associação que trabalha diariamente para a promoção e a valorização, de forma a garantir a continuidade do Queijo Serpa DOP, denominação de origem protegida, e do leite de ovelha da região demarcada, que abrange quase todo o Baixo Alentejo, para a produção de queijo de Serpa DOP.
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Na zona de Beja, uma família com raízes de três séculos na mesma terra ganhou o Prémio Nacional de Agricultura na categoria de Sustentabilidade com um modelo que une agroecologia, precisão tecnológica e regeneração dos ecossistemas.
A Sinvepart - Grupo Mello Freire de Andrade mede o tempo em séculos. “Somos um grupo de empresas familiares com ligação a estas terras há mais de 300 anos, onde produzimos azeite, amêndoa, uva, cereais, carne e fazemos gestão florestal”, afirma Madalena Freire de Andrade, administradora da Sinvepart. Acrescenta que “trabalhamos todos os dias para garantir que nos próximos 300 anos seja possível continuar a produzir nestas terras”.
Essa ambição de longo prazo traduz-se num modelo de gestão que não abdica da modernidade para ser sustentável, nem sacrifica a sustentabilidade em nome da produtividade. A filosofia da empresa assenta naquilo que Madalena Freire de Andrade designa como “agroecologia de precisão”, que engloba as ferramentas da agricultura moderna com práticas regenerativas e de regeneração dos ecossistemas. Uma equação que procura conciliar o melhor de dois mundos, a eficiência da tecnologia contemporânea com o respeito pelos ciclos naturais, que durante séculos tornaram estas herdades produtivas.
Nutrinveste e imobiliário
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Espalhada por 1.900 hectares na zona de Beja, divididos em três blocos de herdades (Monte da Marzalonas, Monte da Faleira e Monte da Alfarrobeirinha), a Sinvepart cultiva um mosaico agrícola que inclui olival, amendoal, vinha, cereais, floresta e criação de gado. A empresa, fundada na sua forma atual em 2006, fatura 3,8 milhões de euros e conta com 23 colaboradores. É ainda acionista de referência na Nutrinveste, do Grupo Sovena, um dos principais grupos mundiais de azeite, e faz a gestão de ativos imobiliários em Lisboa, Beja e Viana do Castelo.
Os objetivos são claros e exigentes, nas palavras de Madalena Freire de Andrade. Afirma que “produzir de forma ainda mais eficiente, usando menos água, menos energia e menos fatores de produção, garantindo a viabilidade económica para permitir que as futuras gerações continuem a poder fazer agricultura nestas terras”.
Ao receber o galardão, Madalena Freire de Andrade não escondeu a emoção e aproveitou para agradecer aos pais, “já que é uma empresa 100% familiar, porque nos passaram uma paixão pela terra onde a nossa família tem raízes há mais de 300 anos”. E, em forma de mensagem, considerou que “este prémio é a prova de que é possível fazer agricultura moderna, produtiva e responsável”.
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Com um investimento de 25 milhões de euros numa adega com 95% dos processos automatizados, a Granvinhos olha para o futuro do vinho do Porto.
“A Granvinhos é um conjunto de oito empresas, um conglomerado que tem como core o vinho do Porto, mas também os vinhos do Douro, e ainda atividades de enoturismo, não como uma atividade turística pura e simples, mas como uma ferramenta para comunicar melhor os nossos vinhos”, afirmou Jorge Dias, diretor-geral da Granvinhos.
No coração da distinção agora recebida está a Adega do Cedro, um centro de vinificação inaugurado na Régua nesta última vindima, com um investimento de 25 milhões de euros, capacidade para processar 8 mil toneladas de uvas e 95% dos procedimentos automatizados, servindo seis concelhos do Douro. Segundo Jorge Dias, a adega “trabalha com pequenos volumes e com um conjunto de tecnologias para explorar ao máximo possível a qualidade da matéria-prima e respeitar o que os viticultores nos entregam”.
Novos consumidores
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A modernização serve um propósito mais amplo. Para Jorge Dias, o maior desafio é o rejuvenescimento dos consumidores de vinho do Porto, “encontrarmos novas formas de consumo, recrutar novos consumidores para o produto”. Uma preocupação que vai além do marketing. “O vinho do Porto é um produto muito antigo, mas tem de se preocupar sempre com o futuro e com as novas gerações, tanto nos hábitos de consumo, como nos produtos”, afirmou Jorge Dias.
Com raízes que remontam a 1887, a Granvinhos chegou ao presente após uma série de fusões e aquisições que alargaram o seu portefólio ao vinho da Madeira, aos vinhos verdes, aos vinhos de Ventozelo e aos vinhos de Lisboa. A Porto Cruz, a sua marca mais icónica, ultrapassa hoje as 10 milhões de garrafas distribuídas por mais de 50 mercados. Desde 1975 que pertence à francesa La Martiniquaise, da família Cayard, e faturou em Portugal 81,4 milhões de euros em 2025.
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A Empresa Figueirense de Pesca nasceu para as artes da pesca. Hoje produz ingredientes para vacinas, cosméticos e suplementos alimentares.
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“Queremos partilhar com todo o sector que é possível reinventar as empresas, por muito antigas que sejam, e que não devem cruzar os braços sempre que os velhos do Restelo dizem que não é possível”, afirmou António Cação, CEO e accionista da Empresa Figueirense de Pesca, no discurso de agradecimento da distinção.
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A Empresa Figueirense de Pesca iniciou a sua actividade na pesca extractiva. Quando António Cação chegou à liderança, em 2000, encontrou uma unidade industrial já dedicada à transformação de farinhas e óleos de peixe, subprodutos da indústria conserveira. Foi esse o ponto de partida para uma metamorfose profunda. “Criámos um grupo ibérico, com sede em Portugal e com três unidades industriais, e produzimos ingredientes para suplementos alimentares, adjuvantes de vacinas, nutrição animal e cosmética, que é hoje o maior dos segmentos”, explica António Cação.
A viragem foi inevitável. “Tivemos que abandonar a área extractiva por falta de rentabilidade. Mas temos ideias”, afirma António Cação, sem nostalgia. Hoje, com um volume de negócios de 18,3 milhões de euros e 47 colaboradores, a empresa é um dos maiores transformadores de subprodutos da refinação do azeite na Península Ibérica, negócio que se estende já para além da pesca. “Hoje em dia já não vivemos só da pesca, mas também da indústria do azeite”, sublinha.
O produto com que a Empresa Figueirense de Pesca concorreu ao Prémio Nacional de Agricultura sintetiza bem esta nova identidade. Trata-se de uma emulsão em formato de mousse, sem açúcar e sem glúten, desenvolvida para eliminar a principal barreira de adesão aos suplementos de óleo de peixe. “O que motivou a criação deste suplemento foi ultrapassar a barreira psicológica de que os suplementos alimentares de óleo de peixe sabem mal porque sabem a peixe”, explica António Cação. O resultado é um produto com “o mais alto teor de Ómega-3 do mercado por euro pago pelo consumidor” e que tem “todas as condições para penetrar no mercado mundial”, admite António Cação.
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“O nosso foco é produzir azeite biológico e vinagres de fruta, que são feitos a partir do desperdício da nossa produção de fruta”, disse Diana Falcão.
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A Quinta Mourisca é um projecto familiar que se situa em Alfândega da Fé. “Na paisagem típica transmontana, tudo à nossa volta são oliveiras e o azeite acaba por ser o principal produto na quinta”, disse Diana Falcão, responsável pelas operações da Quinta Mourisca do Alendouro.
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Mas se o azeite é o produto central, é nos vinagres que reside a maior originalidade da Quinta Mourisca, que criou uma alternativa portuguesa ao vinagre balsâmico, produzida a partir dos excedentes de fruta biológica que seriam desperdiçados. Deste modo, transformam-se em temperos de cereja, morango, citrinos, mirtilo, romã e marmelo. “Os nossos vinagres acabaram por ser uma receita que criámos, que vieram dar um complemento à nossa oferta de azeite, acabam por ser duas partes importantes do nosso projecto”, sublinha Diana Falcão.
Este prémio é um reconhecimento importante para uma produção de pequena escala que opera, por opção, fora dos circuitos industriais
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