Ormuz e a economia portuguesa em 5 pontos
A sensação de anestesia perante a disrupção brutal em curso no Médio Oriente, o fator político de risco num Irão que não conhecemos, a estagnação (ou crise) ainda em aberto, o rumo bizarro da comunicação do ministro Miranda Sarmento — e o keynesianismo na versão da AD.
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Anestesia. Há uma certa anestesia no ar sobre a disrupção no estreito de Ormuz. O problema é tratado sobretudo no plano económico: de que tamanho será o choque nos preços agrícolas, quando haverá escassez de produto para refinar e de combustível para a aviação, como reagirão os bancos centrais e as pessoas à subida em curso na inflação e por aí fora. Mas tudo isto são as manifestações de um choque cuja dimensão tem como fator determinante a política. Há várias explicações para as economias até aqui terem dobrado e não quebrado — a expressão é de um economista da Goldman Sachs —, mas talvez a mais importante seja a expectativa de que as partes em conflito têm um interesse comum de pôr tudo como antes. Isto é ‘wishful thinking’. É possível que venha daqui — e da saturação que os media pressentem nas pessoas sobre este tema, que leva ao doseamento do alarme — o sentimento de anestesia.
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