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Brandão de Brito: “Stocks de poupança alimentam consumo privado”

Ao contrário do que se passou na crise anterior, a da dívida soberana em que houve necessidade de apertar os cintos, neste momento a mensagem é de maior otimismo e de desapertar os cintos, refere José Maria Brandão de Brito.

Filipe S. Fernandes 21 de Fevereiro de 2022 às 15:00
José Maria Brandão de Brito, chief economist and head of Research, ESG and Crypto do Millennium BCP Duarte Roriz
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O crescimento da economia portuguesa foi de 4,9% em 2021 e as perspetivas do Banco de Portugal, que "são muito realistas", apontam para um crescimento em 2022 de quase 6%, e um crescimento superior a 3% ainda em 2023, afirma de José Maria Brandão de Brito, chief economist and head of Research, ESG and Crypto do Millennium BCP.

Para este crescimento contam "o PRR e o papel que o consumo privado continuará a ter num quadro em que as famílias detêm ainda stocks de poupança extraordinária muito substancial. É uma bolsa de capacidade financeira e capacidade aquisitiva das famílias que continuará a suportar a boa evolução do consumo privado", sublinhou o economista-chefe do banco BCP.

Soma-se a possível retoma rápida ao longo de 2023 do turismo, "que é uma atividade que continua a ter grande potencial de crescimento, e que ainda há quatro pontos percentuais para que o peso do turismo português retome a níveis pré-pandémicos, que ajudarão a economia a crescer ao longo de 2022-23, horizonte no qual esperamos que se debele por definitivo a pandemia e os seus efeitos sobre a economia", destaca.

Se a taxa de desemprego em Portugal está em mínimos históricos ou perto disso, a inflação está a subir. " Existe um risco muito material de que a inflação em Portugal vá para níveis em torno ou mesmo acima de 5%, o que tem alguns problemas nomeadamente ao nível dos custos de alguns setores de atividade que não tenha tanta facilidade em repassar esses custos para os seus preços de venda", frisa José Maria Brandão de Brito.

Nova gestão da crise

Na sua perspetiva, ao contrário do que se passou na crise anterior, da dívida soberana, "em que houve necessidade de apertar os cintos para a volatilidade que a dívida pública da periferia sofreu, neste momento diria que a mensagem é de maior otimismo, de desapertar os cintos, porque não só as condições financeiras dos países da periferia, e sobretudo Portugal, estão bastante mais robustas do que estavam na crise de há dez anos, mas também porque há um novo paradigma na condução da política europeia".

A nova política reflete-se ao nível monetário, em que o BCE "está disposto a utilizar seletivamente e segmentar o alvo da sua intervenção no sentido de garantir e proporcionar custo de financiamento relativamente baixo ou acessível para todos os Estados-membros da área do euro". Mas também na vertente orçamental, em que se deu "um passo gigante, uma alteração muito material de paradigma na gestão dos riscos orçamentais entre os Estados-membros da área do euro e da União Europeia com a emissão de dívida comum para financiar o Next Generation EU", conclui José Maria Brandão de Brito.

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