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Miguel Maya: “O país precisa de projetos ambiciosos”

Miguel Maya, presidente executivo do Millennium BCP, defende que é essencial rever o contrato social de modo a assegurar a competitividade económica das empresas no mundo global e digital, reforçando simultaneamente as redes de proteção social.

Filipe S. Fernandes 21 de Fevereiro de 2022 às 14:30
Miguel Maya, presidente executivo do Millennium BCP Duarte Roriz
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Na sua intervenção no encerramento da Grande Conferência "Vamos Lá, Portugal!", o responsável máximo do Millennium BCP sublinhou "ser consensual concluir que o PRR, se bem executado, irá conferir uma oportunidade relevante para o crescimento sustentado e para o reforço da competitividade da economia portuguesa". "O país precisa de projetos ambiciosos, geradores de produtos de exportações e de emprego qualificado."

Miguel Maya baseou a sua intervenção numa análise das oito conferências que, ao longo de seis meses, debateram "temas centrais da economia portuguesa". Estes temas são "transversais à maioria dos setores do tecido empresarial e da maior relevância para o Portugal moderno, competitivo, e socialmente inclusivo, que todos pretendemos construir", frisou.

Ciclo de conferências à volta do PRR

A estrutura deste ciclo de conferências assentou em torno dos pilares-chave do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), que vai injetar na economia portuguesa 16,6 mil milhões de euros ao longo dos próximos anos. "Estamos perante uma oportunidade singular" e, por isso, para Miguel Maya, "importa agora assegurar que nos preparamos para garantir toda a sorte possível na sua execução". "Haverá certamente ajustamentos a fazer ao longo do percurso, mas concentremo-nos, e é essa a nossa obrigação, em executar de forma exímia e escrutinável o programa. Se o fizermos bem, e de forma transparente, até o processo de correção e afinação da execução será mais simples e eficaz."

Políticas públicas e métricas bem definidas

Uma das conclusões desta série de debates foi, segundo Miguel Maya, sublinhar que, "a par da necessidade de promover políticas públicas ambiciosas e com métricas bem definidas, é imprescindível fomentar também uma iniciativa privada inovadora, exigente e empreendedora, ou seja, uma iniciativa privada forte, que contribua ativamente para atingir os objetivos de crescimento económico e desenvolvimento social".

Se o fizermos bem e de forma transparente, até o processo de correção e afinação será mais simples e eficaz. Miguel Maya, Presidente executivo do Millennium BCP
Para o presidente executivo do Millennium BCP, "como inúmeros portugueses têm demonstrado ao longo da História, não temos nenhum gene lusitano que nos impeça de ser bem-sucedidos neste mundo cada vez mais global e digital". "Até a nossa dimensão e localização podem ser encaradas como fatores competitivos." Segundo o banqueiro, é crucial o investimento em educação, na requalificação de trabalhadores, na formação de profissionais com elevadas competências tecnológicas, na investigação necessária ao desenho de novos modelos e processos de negócio, e na inovação, sem a qual não há competitividade sustentável.

Automação e contrato social

Miguel Maya salientou também que a incorporação de tecnologia tem assumido uma importância determinante, e que a recusa da automação se pode traduzir, "mais cedo do que tarde, na perda de postos de trabalho qualificado, na menor competitividade das empresas sediadas em Portugal e, consequentemente, na destruição de capacidades e de valor para a sociedade. Torna-se assim cada vez mais pertinente questionar e rever o contrato social. De modo a assegurar a competitividade económica das empresas no mundo global e digital, reforçando simultaneamente as redes de proteção social."

Importância de um setor financeiro moderno

O banqueiro destacou a importância de Portugal dispor de um setor financeiro moderno, eficiente, inovador e competitivo, "como ficou bem demonstrado nesta crise, que começou com uma pandemia e contaminou a economia, um setor financeiro forte protege na crise". "Creio que a imagem do banco a oferecer o chapéu quando não chove e a solicitá-lo de volta no primeiro aguaceiro, nesta crise, não fez parte da história", destacou. "O setor financeiro esteve presente e demonstrou de forma séria como os seus propósitos estão alinhados com as necessidades das comunidades que servem", concluiu Miguel Maya.

Conferência após oito talks A Grande Conferência "Vamos lá, Portugal!", uma iniciativa do Jornal de Negócios e do Millennium BCP, realizou-se a 9 de fevereiro 2022 no Pestana Pousada de Lisboa. Contou com uma intervenção de abertura de Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, e com Miguel Maya, presidente executivo do Millennium BCP, no encerramento. Encerrou um ciclo de oito talks em torno dos desafios do PRR.

José Maria Brandão de Brito, chief economist and head of Research, ESG and Crypto do Millennium BCP, abordou o tema de "Como a pandemia trocou as voltas à macroeconomia". Seguiu-se um primeiro painel com o tema, "A Opinião dos Economistas", que teve a moderação de Paulo Ribeiro Pinto, editor de Economia do Jornal de Negócios, e a participação de Joana Silva, professora da Universidade Católica, José Maria Pimentel, economista do Banco de Portugal, e Pedro Brinca, "assistant professor (tenure-track)" da Nova SBE.

O segundo debate, "Uma Visão para o futuro", foi moderado por Diana Ramos, diretora do Jornal de Negócios, e contou com Carlos Ribas, responsável da Bosch Portugal, Pedro Pires de Miranda, presidente executivo da Siemens Portugal, e Tiago Azevedo, CIO da Outsystems.
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