Certificados de aforro: como destruir um activo com 40 anos
É costume dizer-se que os portugueses são "early adopters". Dá-se até como exemplo o facto de aderirem facilmente às novas tecnologias, como prova o crescimento explosivo da telefonia móvel. Mas há um sector onde a atracção pela inovação é mais comedido: a área financeira. Se se fizer um inquérito aos hábitos de investimento dos portugueses, é muito provável que a grande maioria diga que nada bate a segurança dos certificados de aforro. Por serem títulos do Estado. Daí a preferência que, desde 1960, lhe têm dispensado as famílias.
Num ano dominado pela crise financeira, era expectável que os certificados tivessem grande procura. Mas não é assim: o total de aplicações foi inferior ao total desinvestido. Razão? A remuneração miserável: cerca de 0,7%, bem abaixo dos depósitos a prazo. Tudo graças às alterações que as Finanças introduziram na actual série (C), em Janeiro de 2008 (para poupar nas despesas, com juros, do Estado). E embora as Finanças tenham corrigido o tiro em Fevereiro de 2009, suavizando os cortes na remuneração, os aforrradores mantiveram-se divorciados do produto.
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Não se compreende que o Estado não aprenda com os erros. Porque para poupar cerca de 500 milhões de euros por ano está a dar cabo da credibilidade de um dos melhores instrumentos de aforro. Mais: numa altura em que se devia estimular a poupança, para diminuir a dependência do crédito externo, ainda se percebe menos a teimosia. Até porque os 500 ou 600 milhões que o Estado poupa ficam bem abaixo dos subsídios que deu à economia para combater os efeitos da crise financeira.
camilolourenco@gmail.com
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