Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 01 de Junho de 2009 às 11:37

Manuela Moura Guedes e o Poder

Manuela Moura Guedes está condenada a ser notícia devido à forma frontal (e peculiar) como trata a informação. Como se isso não bastasse, o primeiro-ministro deu-lhe uma ajuda desde que qualificou o seu espaço noticioso de...

Manuela Moura Guedes está condenada a ser notícia devido à forma frontal (e peculiar) como trata a informação. Como se isso não bastasse, o primeiro-ministro deu-lhe uma ajuda desde que qualificou o seu espaço noticioso de "jornal travestido de caça ao homem".

Numa das suas últimas entrevistas, Manuela deixou no ar uma pergunta: "Se a informação em Portugal não fosse tão subserviente, o primeiro-ministro podia fazer aquele número inacreditável, dirigindo-se ao país para criticar um jornal da forma como fez"?

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Vale a pena pensar na pergunta. Porque são raros os casos em que um chefe de Governo se assanha desta maneira com a Imprensa (há excepções: Berlusconi, que só os italianos levam a sério, Nixon, que acabou às mãos da própria Imprensa). E porque a pergunta faz mesmo sentido. É duvidoso que Sócrates tratasse assim a Imprensa se ela não estivesse tão vulnerável (política e economicamente). No fundo, o que Manuela está a dizer é que devido a essa fragilidade, os jornalistas põem-se a jeito... e o Poder aproveita.

É inquietante. Porque embora haja casos de resistência a este estado de coisas, a pressão nunca foi tão forte. E é por isso que os ataques a Moura Guedes nos devem preocupar.

Podemos não gostar do que ela faz (ou de tudo o que faz), mas ela fá-lo por convicção e independência. E o julgamento do seu trabalho deve caber ao público e aos tribunais. Nunca ao Poder. Sob pena de por essa forma se estar a minar a independência dos media.

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