Novato na empresa

Um dos pontos críticos quando se começa a trabalhar numa nova organização é não colidir com os hábitos criados. São como raízes de uma árvore centenária, difíceis e dolorosos de cortar.

A entrada numa empresa, é como a entrada numa universidade, desconhecemos o ambiente, as pessoas, de uma maneira ou de outra somos praxados, sabemos porque é que aceitamos esse desafio, e temos criadas expectativas sobre o nosso futuro.

Mas como na universidade, a entrada não é pacífica e requer uma estratégia pessoal afinada para não criar atritos imediatos ou catalogar os actuais colaboradores sobre influência de outros.

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Um dos pontos mais críticos quando se inicia a trabalhar numa nova organização, é o não colidir com os hábitos criados ao longo do tempo. Existem sempre hábitos enraizados que são como raízes de uma árvore centenária, difíceis e dolorosos de cortar.

Pelas várias empresas por onde passei, os sintomas foram sempre os mesmos. Quem entra não sabe nada, e quando opina fica sempre visto como o espertinho de última hora.

Tive um caso numa empresa que foi até gracioso. Recém admitido na empresa, e nos primeiros dias de trabalho, numa sala cheia de gente, incluindo o presidente da empresa, disse que se calhar teríamos de eliminar um dos produtos do portfólio. Um italiano, virou-se para mim, e disse-me: "maravilhoso, o Nuno chegou e no primeiro dia diz qual é a solução que ninguém ainda descobriu". Disse-o com um ar entretido, como normalmente caracteriza os italianos, e a seguir gerou-se uma gargalhada pegada. Hoje o tal produto já não existe no portfólio, por não ser rentável à empresa, pelo que muito de errado não estava.

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Já sabemos que quem analisa de fora, tem sempre outra visão, que os de dentro não conseguem ter, por estarem demasiado habituados e viciados ao sistema.

Outro ponto igual de crítico, são os métodos de trabalho. Não sabemos com quem falar, nem quem trata de determinado assunto. Naturalmente vamos fazer o percurso da maneira errada, falar com as pessoas menos adequadas, e criar atritos internos.

É nesta fase que conheçam as queixas, e em especial se é uma pessoa dinâmica e com vontade de deixar o trabalho feito e a missão cumprida.

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É normalmente neste ponto que os colaboradores das empresas se protegem, e sentem a necessidade de delinear o seu território, sob pena de envasam alheia.

Neste capitulo tive no passado um grande mentor, que foi meu chefe e rapidamente chegou a presidente de uma multinacional.

Com ele aprendi que quando entramos numa empresa, devemos ouvir e seguir os que lá estão dentro. Não impor regras, nem obstruir caminhos. Aprender com quem sabe, ou que pelo menos pensa que sabe. A regra é entrar como um espião, não atrapalhar e passar despercebido. Assim ninguém tem nada a apontar sobre si, você aprende, e no momento em que já recolheu toda a informação, começa então a opinar, a construir o seu caminho, a cumprir com a sua missão.

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Aprendemos com o professor, para mais tarde ensinarmos o professor. Esse deve ser o lema, e esse foi sempre o lema que ele seguiu com resultados à vista.

Não é fácil seguir essa metodologia de trabalho, até porque chegamos cheios de energia, mas é sem dúvida a que menos conflitos traz, e mais sucesso garante.

Recorde que quando inicia o seu percurso numa empresa, você passa a ser o pretexto ideal para que se crie uma novela à sua volta. É quase inevitável que não lhe apontem algum defeito. Algumas vezes terão razão, outras é apenas a tal marcação de território. Tem de saber distinguir e progredir com os seus objectivos.

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Um teste que sempre uso, seja nesta situação ou noutra, é identificar a credibilidade de uma crítica que lhe apontam, através de um mínimo de críticas iguais no seu histórico, ou seja, todos nós nos conhecemos e sabemos perfeitamente, muito melhor que outros, os nossos defeitos, logo se alguém lhe faz uma critica que não faz parte de um defeito seu, já identificado no passado por outros críticos, significa que essa não é uma critica válida, mas sim uma marcação de território de quem o critica.

Pode eventualmente estar a desenvolver mais um defeito, mas se é assim, tem de ser criticado por mais de uma pessoa sobre o mesmo defeito. Tenho por hábito dizer que quando estou certo junto de outras opiniões idênticas, e há um que descorda, o mais provável é estar certo quem concorda por maioria. Há excepções à regra mas são raras.

Estes são apenas alguns eventos que acontecem na sua "praxe" mas há muitos outros. Siga o lema do espião e não perca de vista os seus objectivos, porque se vai ficar igual aos outros, só para não incomodar, pouco irá progredir.

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Dicas

1. Actue como um espião, antes de entrar em acção.

2. Saiba separar as críticas reais da marcação de território.

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Envie para o "e-mail" jng@negocios.pt todas as suas questões, dúvidas ou experiências sobre "Novato na empresa"

*Fundador e líder executivo da Zonadvanced - Grupo First

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