O Governo e o verbo "ir"
O Governo "vai" cortar despesa; o Governo "vai" evitar fragilizar a banca; o Governo "vai" dar sinais de reequilíbrio das contas públicas; o Governo "vai" fazer as obras (públicas) fundamentais, apesar dos cortes orçamentais… Aproveito para dizer que este apanhado apenas levou em conta as notícias (do negócios.pt) dos últimos dois dias; se analisássemos os últimos 12 meses chegávamos à conclusão que o Governo "vai" fazer tudo e mais alguma coisa.
Mas fiquemos pelas coisas mais urgentes que o Governo "vai" fazer. A última ("Expresso" dixit) é que "vai" antecipar a apresentação do Orçamento de Estado para 2011. Para sossegar os mercados, que estão à beira de nos cortar o crédito. A promessa lembra a história dos casais que passam a vida a fazer disparates e que, percebendo que estão à beira do abismo, marcam férias numa última tentativa para salvar o casamento. Como toda a gente sabe, não salvam coisa nenhuma: quem durante uma vida não fez o que tinha de fazer, não muda de comportamento à última da hora. Não foi este mesmo Governo que prometeu, em Maio, que "ia" cortar despesa?
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O Governo acha que ainda tem umas semanas para tranquilizar os mercados. Não tem. É por isso que estou convencido que o orçamento de 2011não se "vai" fazer sem a ajuda do FMI. Pode ser que nessa altura o Governo se"vá" embora.
P.S. - Teixeira dos Santos virou político. Só um político culpa a oposição pelo disparo dos juros da dívida pública. E eu que pensava que quem assina as notas de despesa (pública) era o ministro das Finanças…
camilolourenco@gmail.com
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