Francisco Veloso 06 de Julho de 2014 às 15:34

Os estudantes alemães e o futuro de Portugal

Olhando para números do turismo, das exportações, ou de investimento, a Alemanha ocupa um dos lugares cimeiros como parceiro económico de Portugal, variando entre a 2.ª e a 4.ª posição.

 

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Mas, dentro de 10 anos, a Alemanha pode tornar-se o nosso principal parceiro económico. A oportunidade para tal está nos futuros profissionais e empresários alemães, que conhecem e desenvolvem laços com Portugal agora, enquanto estudantes no nosso país. 

 

As relações económicas entre países são caracterizadas por números. Mas os protagonistas são pessoas: empresários que investem, comerciais que compram, turistas que fazem visitas, ou alunos que estudam noutro país. Visitas oficiais como a que o presidente alemão realizou a Portugal há alguns dias são importantes porque dão visibilidade a estas relações. As cerimónias públicas com os presidentes trazem consigo muitas outras relações pessoais que, não tendo a mesma mediatização, são críticas porque corporizam a ligação económica. No âmbito desta visita, estiveram em Portugal decisores alemães, que, através de encontros bilaterais, aprofundaram relações com parceiros portugueses.

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Sabendo que visitas de apenas alguns dias podem ser o início de uma interessante relação económica, é evidente que a presença de um estrangeiro no nosso país durante mais de um ano tem um enorme potencial. A familiaridade com a cultura, os laços pessoais que se criam, e o reconhecimento de oportunidades económicas, ganham níveis de profundidade muito diferentes. Este potencial é visível através do pequeno grupo de gestores internacionais que passam por Portugal e cujas relações pessoais e profissionais perduram muito para além das suas comissões, por vezes mantendo residência local.

 

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A reforma de Bolonha no ensino universitário europeu veio aumentar significativamente este grupo. A conversão das antigas licenciaturas num sistema com primeiros graus mais curtos de 3 anos, seguidos de um mestrado de 2 anos, está a gerar uma enorme onda de mobilidade internacional ao nível do mestrado, estando a Alemanha na vanguarda deste movimento. O número de alemães a estudar no estrangeiro mais do que duplicou nos últimos 10 anos. Neste quadro, as boas universidades em Portugal, e Lisboa em particular, que oferecem programas de qualidade, são escolhidas por estudantes alemães como local de estudo. Na Católica-Lisbon temos largas dezenas de estudantes alemães a obter o seu grau de mestre na escola, com uma tendência clara de crescimento. Esta é a nacionalidade estrangeira mais representada, o dobro ou triplo da seguinte, normalmente italiana ou francesa.

 

Isto significa que, daqui a 10 anos, poderemos ter quase 1000 antigos alunos alemães da Católica-Lisbon, que viveram em Portugal um a dois anos. Em outras boas escolas como a Nova SBE existe igual procura de alemães. Ao longo dos próximos anos é possível ter milhares de futuros protagonistas económicos, políticos e sociais alemães que conhecem bem Portugal, as suas pessoas e o seu potencial. Os laços cimentados representam um enorme capital económico para o nosso país, como profissionais, investidores, empreendedores ou compradores.

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Vale a pena, por isso é muito importante estimular esta oportunidade e dinamizá-la ainda mais, promovendo Portugal e as suas universidades na Alemanha como destino de ensino. Podemos igualmente alimentar a ligação com os que regressam à Alemanha, dinamizando a comunidade lá, em ligação a Portugal. A Católica-Lisbon tem a perceção clara do potencial que estes antigos alunos representam para o futuro da escola. E este valor, multiplicado por muitos, pode ser excecional para a capacidade económica e criação de emprego no país.

 

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Diretor da Católica-Lisbon School of Business & Economics

 

Este artigo está em conformidade com o novo acordo ortográfico

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