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Voltaremos ao “small is beautiful” no mundo A.P.?

Será que, como uma das tendências identificadas num recente artigo do Economist, as grandes corporações serão lembradas no futuro como "enormes mamutes de 1980-2020 em extinção"?

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Em 1973, Ernst Friedrich Schumacher escreveu "Small is beautiful: A study of economics as if people mattered", uma coleção de ensaios, que tem sido interpretada por várias pessoas, desde a economia à política. Esta resultou de uma reação dele à disseminação dos métodos de produção em massa, que permitia uma produção cada vez mais barata de muitos produtos, alavancados por uma maior harmonização do consumo por todo o mundo. Empresas cada vez maiores e mercados cada vez mais amplos levavam a uma desumanização do trabalho e do sistema económico. O que ele sugeria era que a economia estivesse centrada nas pessoas, porque isso possibilitaria a sustentabilidade ambiental e humana. Este era a base do seu raciocínio.

 

Na prática, foi um trabalho, entre vários, que levou à discussão das vantagens e desvantagens da globalização, e do modo como esta deveria ser feita.

 

O mundo, entretanto, evoluiu muito, presumo que Schumacher esperaria que a desumanização fosse atualmente brutal, o que não aconteceu, mas também não quer dizer que o mundo esteja perfeito.

 

 Ao fim do ano 1 A.P. (Após a Pandemia), começam-se a discutir temas que será que podem levar ao "small is beatutiful" (embora com perspetivas algo diferentes da de Schumacher)?

 

Um tema é a necessidade de independência de produção de certos produtos essenciais, desde bens alimentares a produtos a tecnológicos (de referir que a Europa faz muito bem em apostar na produção de semicondutores, tornando-se um player mundial relevante até 2030).

 

Outro tema é a mobilidade sustentável, com conceitos como "cidades compactas" ou "cidades de 15 minutos", que Carlos Moedas recentemente abordou quando falava sobre Lisboa, que levarão a negócios de menor escala e mais proximidade.

 

E, entre outros, o tema levantado por Schumacher de nos voltarmos mais para a escala humana, procurando satisfazer de forma mais customizada as necessidades humanas e incentivar melhores relações humanas, minimizando problemas de saúde mental, que aliás Schumacher já alertava, na procura de maior felicidade para todos.

 

Será que, como uma das tendências identificadas num recente artigo do Economist, as grandes corporações serão lembradas no futuro como "enormes mamutes de 1980-2020 em extinção"?

 

Se a tendência se concretizar, países mais pequenos como Portugal poderão beneficiar disso, se tiverem arte e engenho…

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