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Teresa Damásio 15 de Janeiro de 2020 às 19:20

Para lá do folclore, marchar, marchar

Entendo que devo exigir ao PS que apresente e genuinamente apoie uma mulher, candidata a Presidenta da República.

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O Partido Socialista (PS) não pode fugir ao imperativo e ao dever, éticos e republicanos, de apresentar candidato às presidenciais de 2021. É desta forma taxativa que eu, cidadã da República Portuguesa, me assumo.

 

Escrevo esta coluna de opinião no Jornal de Negócios desde agosto de 2016, e tenho-o feito nunca escondendo as minhas posições e convicções. Muitos dos leitores julgam que se entrechocam as minhas referências à liberdade de ensinar e aprender e a modelos de empreendedorismo e de criação competitiva com uma visão mais socialista e, teoricamente, mais coletivista. Para enquadrar o presente artigo num jornal de negócios, replico o artigo 1º dos estatutos do PS: "O Partido Socialista é uma organização política de homens e mulheres, empenhada na construção de uma sociedade livre, igualitária, solidária, económica e socialmente desenvolvida, ecologicamente sustentável, cuja ação está enquadrada na sua declaração de princípios e nas moções aprovadas nos Congressos Nacionais."

 

Como unidade cada vez mais representada neste jornal naquilo que significam os governos que nos governam, os impostos que nos são cobrados, as decisões que têm efeitos diretos ou indiretos na minha e nas nossas vidas, um partido político é um fator relevante daquilo que nos faz, como povo e como país, atrativos ou repelentes. Se é verdade que o estatuto editorial do Negócios afirma ser "(…) independente dos poderes político, económico ou religioso", também reitera a sua defesa da liberdade e "não abdica de ter opinião, de tomar posição e de suscitar e promover o debate". Pois bem. É o que aqui pretendo fazer. Que me desculpem os não tolerantes ou os mais facciosos. De coração aberto e como mulher, gestora, professora, mãe e filha, escrevo para todos.

 

E regresso ao início deste pequeno texto. Ainda há poucos meses, o jornal Expresso e a SIC noticiavam uma sondagem do ISCTE/IUL e do ICS que referia que as duas grandes preocupações dos portugueses, a larga distância das restantes, eram a saúde e a corrupção(1). Nos últimos tempos assistimos ao recrudescimento das preocupações com o ambiente, com uma jovem mulher (e muitas outras e outros com ela), Greta Thunberg de seu nome, no centro mediático, com tantos benefícios e também tantos riscos, sem que possa, demasiadas vezes, contar com a complacência da comunidade. Assistimos a análises de ilustres economistas que referem a crise associada às desigualdades. Sentimos um mimetismo com uma apatia que nos faz, tal qual um coelho ofuscado pelos faróis de um carro, ficar estáticos, por vezes perdidos e hipnotizados. E é por isso que escrevo este texto. Para lembrar que, além de tudo isto, como mulher, como herdeira de uma mãe que tanto me ensinou e que criou uma escola que hoje dirijo, que me ensinou a ler Simone de Beauvoir, que me apoiou quando assumi cargos em órgãos nacionais das mulheres socialistas, no partido que aqui repetidamente menciono, e como ex-deputada à Assembleia da República, entendo que devo exigir ao PS que apresente e genuinamente apoie uma mulher, candidata a Presidenta da República(2).

 

E face a tudo o que escrevi, e ao que excede em muito a possibilidade de carateres deste texto, entendo que é, de novo, a possibilidade de apresentar uma candidata mulher que permita, uma discussão ampla e cuidada sobre quais os desafios com que nos deparamos como cidadãos portugueses, europeus e do mundo. E tomo a liberdade de indicar aqui algumas mulheres que sei que tornariam este debate mais humanista, mais brilhante, mais genuíno e mais sério: Maria de Belém Roseira (jurista e ex-ministra da Saúde), Elza Pais (deputada, socióloga, professora universitária, investigadora e presidente das Mulheres Socialistas), Maria de Lurdes Rodrigues (professora universitária, reitora do ISCTE/IUL e ex-ministra da Educação), Francisca Van Dunem (ministra da Justiça e magistrada do Ministério Público) ou Ana Gomes (diplomata e ex-deputada ao Parlamento Europeu). São mulheres que representam o que uma Mulher tem de mais sincero, intuitivo, caridoso e ambicioso e que certamente permitirão, para além do folclore, ajudar o país a curar feridas e a preparar o futuro. 

 

(1)https://leitor.expresso.pt/diario/sexta-40/html/caderno1/temas-principais/corrupcao-dispara-entre-os-temas-que-mais-preocupam-os-portugueses.-saude-ainda-lidera

 

(2)Sim. É Presidenta que se diz: https://www.flip.pt/Duvidas-Linguisticas/Duvida-Linguistica/DID/4872

  

Administradora do ISG - Instituto Superior de Gestão e do Grupo Ensinus

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