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Luís Marques Mendes 12 de Junho de 2016 às 22:00

Notas da semana de Marques Mendes no Negócios

A análise de Luís Marques Mendes ao que marcou a última semana da vida nacional e internacional. Os principais excertos da sua intervenção na SIC, nos temas escolhidos pelo Negócios.

SANÇÕES: FRANÇA APOIA PORTUGAL

 

1.     Duas boas notícias:


a)
     A França apoia-nos;

b)     A OCDE apoia-nos;

 

2.     Uma má notícia: Os partidos na Assembleia da República não foram capazes de se entender para um texto único que condenasse a ideia de sanções.

- Os deputados parecem comportar-se como numa associação de estudantes. Têm comportamentos verdadeiramente infantis.

 

3.     Uma pergunta: Vamos ter ou não Sanções? A minha resposta é NÃO.


a)
     Não vamos ter sobretudo por causa da boleia da Espanha.

b)     Ninguém em Bruxelas tem coragem de sancionar a Espanha. E não sancionando a Espanha não podem sancionar Portugal.

c)     É uma vantagem colateral. Somos beneficiários líquidos da situação espanhola.

d)     Em qualquer caso é positivo. Sanções, a existirem, minariam a credibilidade internacional de Portugal.

OS ALERTAS DE MARCELO

 

1.     Barrigas de aluguer – O veto é um exercício de autoridade respeitada.

a)     Normalmente os vetos políticos não têm consequências práticas. O PR veta, devolve à AR e o Parlamento confirma.

b)     Neste caso, sucedeu coisa diferente. Os partidos que aprovaram a lei manifestaram a sua disponibilidade para reflectir e rever o texto da lei.

c)     Isto é o exercício conseguido da autoridade. É a autoridade respeitada. Porquê?
- Pela boa fundamentação do veto. Uma fundamentação técnica e não ideológica.

- Pela Popularidade do PR. Aqui está uma prova de que a popularidade gera poder e autoridade.

 

2.     35 horas – À mesma um exercício de autoridade. Neste caso inédito. Pela 1ª vez um PR faz uma promulgação condicionada. Uma promulgação à condição. Assinou mas ameaçou com TC.

a)     Se houver aumento de despesa envia a lei para o TC.

Primeiro, por razões políticas. O Governo prometeu não aumentar.

- Depois, por questões jurídicas – lei travão (como eu tinha alertado aqui há 8 dias).


b)
     Conclusão: Temos lei das 35 horas, mas o Governo vai ter um berbicacho monumental para a aplicar este ano.

 

3.     Em sumaSe com o 10 de Junho Marcelo Rebelo de Sousa exibiu o seu exemplo de Pacificador, com estas duas decisões afirmou a sua marca de Intervenção – provavelmente o PR mais interventivo de sempre.

 

QUEM RECEIA O INQUÉRITO À CGD?

 

1.     Lançada a ideia de um Inquérito Parlamentar à CGD, quais as reacções?


a)
     PCP e BE – Opuseram-se ao Inquérito. Uma oposição completamente hipócrita. Se fosse no tempo do Governo PSD/CDS eram a favor. Agora são contra. Com este requinte: Diz o PCP: não queremos que fique a ideia de que o Banco Público é igual aos Bancos Privados.
        Isto é o cúmulo da hipocrisia. Nalguns aspectos a Caixa não é igual aos privados. É pior.

b)     PS, PSD e CDS – Ficaram calados. Um silêncio muito cúmplice e preocupante.

        PS, PSD e CDS estão a ver se conseguem passar por entre os pingos da chuva. António Costa e Passos Coelho não se entendem para fazer qualquer consenso. Seja na educação, segurança social ou reforma do Estado. Mas entendem-se para fazer um consenso pela negativa. Ou seja, para tentarem impedir um inquérito à Caixa. É o bloco central no seu pior.

 

2.     Entretanto, sobre a nova Administração da CGD, há algumas informações importantes:

a)     A nova Administração só entra em funções no próximo mês de Julho;

b)     No novo Conselho de Administração haverá alguns ex-Presidentes Executivos de Bancos Estrangeiros (é boa esta experiência internacional);


c)
     Confirma-se que o aumento de capital será mesmo de 4 mil milhões de euros (dos quais 900 milhões para devolver a ajuda de Estado);

d)     Haverá um plano de reestruturação muito exigente em dois sentidos:

     
        - Uma redução de pessoal, por via de rescisões amigáveis de contratos, nunca inferior a duas mil pessoas, a realizar até 2019.

        - Uma redução significativa da presença da Caixa no Estrangeiro, acabando com empresas participadas da Caixa, sucursais e delegações fora do país (com excepção de África).

OS SALÁRIOS DOS GESTORES DA CGD

 

1.     A Caixa está no mercado. Tem de concorrer com o BCP, o BPI e todos os demais bancos privados. E, se os outros Bancos escolhem os melhores gestores, a Caixa tem de fazer o mesmo. Se não, perde na concorrência.

 

2.     Aqui chegados, há um ditado popular que explica tudo: O BARATO SAI CARO.

a)     Se se paga pouco, não se escolhem os melhores; não se escolhendo os melhores, a gestão não é eficaz; não sendo eficaz, acaba a abrir buracos financeiros que todos pagamos com "língua de palmo".

b)     ConclusãoPara pouparmos hoje uns milhares, perdemos no futuro uns milhões. Ou seja: o barato sai caro.

 

3.     Posto isto:

a)     Tem de haver equilíbrio. Regras de mercado, sim, mas sem exagero. Nem oito nem oitenta.

b)     Espero que as regras de mercado sejam aplicadas com bom senso.

c)     E, já agora – se a Caixa se quer comparar com os privados, também em matéria de remunerações, convém recordar que a regra é: enquanto existir apoio do Estado, os salários dos gestores são reduzidos em 50%. É o que hoje sucede no BCP.

 

 

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