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João Quadros - Argumentista 18 de Novembro de 2011 às 12:19

O lápis do Duque

João Duque escandalizou a opinião pública ao afirmar que a informação emitida pela nova RTP Internacional deve ser "filtrada e trabalhada pelo Governo.

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João Duque escandalizou a opinião pública ao afirmar que a informação emitida pela nova RTP Internacional deve ser "filtrada e trabalhada pelo Governo. Um tratamento que não deve ser questionado. A bem da Nação."

Primeiro, o João Duque é daquelas pessoas que não necessita de gestores de imagem porque adora ser odiado. Segundo, pôr o João Duque a avaliar o Serviço Público de televisão tudo bem mas, dentro dessa lógica, é justo ficar o Fernando Mendes com o dossier da privatização da REN. Terceiro, o João Duque tem tanto jeito para viver em democracia como para conjugar cores de roupa. Assim sendo, as declarações de Duque não me surpreendem. E os portugueses não deviam ficar tão escandalizados. A lógica da RTP internacional, versão Duque, é semelhante à táctica de muitos taxistas, restaurantes, lojas e de todo o Algarve: enganar o estrangeiro. A RTP Internacional vai informar os estrangeiros que do aeroporto de Lisboa aos Jerónimos são 300 quilómetros e temos que passar por Fátima. A bem da Nação. E vai dizer aos emigrantes para votarem PSD porque Portugal precisa de um Salazar em cada rotunda.

Não podemos levar a sério o João Duque. Ele acha que a RTP África só serve para esbanjar dinheiro e que devíamos pagar em missangas e "água de fogo" . O documento do grupo de trabalho por ele (supostamente) liderado é as "Lições do Tonecas" do Serviço Público. O relatório é um massacre, só faltou aconselhar a RTP a emparedar o Júlio Isidro. O documento sobre a televisão pública é como se a família e amigos de Pinto da Costa se juntassem a decidir: "o que bamos fazer com o canal Benfica? Quem disse coisas com fogo?" Propõem o fim da ERC, que não era da sua competência, como podiam propor o fim do arco-íris em Chelas ou do hóquei em campo feminino. O grupo de estudo do SP de TV é composto por ressabiados com a RTP; só falta o Manuel Subtil para ser um conjunto perfeito. Ser "pro bono" é mais um sinal do desperdício deste governo: eles pagavam para fazer o que fizeram - e sempre era mais algum que entrava pelo lado da receita.

Aqui para nós (gosto de estragar finais), aquilo é uma aldrabice. Está tudo combinado. Alguém acredita que, em pleno século XXI, ainda existam pacóvios como o João Duque?! Ninguém acredita. Ele está a interpretar um papel. Aquilo é tudo escrito. Primeiro, vem o Duque em versão "bad cop", e depois vem o Relvas a fazer de "good cop" e só corta o que lhe dá jeito. É tudo um "show" para entreter a audiência enquanto, nos bastidores, já está o final decidido. Faz falta a Teresa Guilherme para o tornar mais credível. E não é despiciendo afirmar que um documento que termina com a opinião de Ribeiro Cristóvão devia ter, em anexo, o Jogo da Mala. E devia acabar com: Ribeiro Cristóvãovãovãovão…vão…



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9. Reparem: Papademous, Mário Monti. Olhando para o perfil dos novos líderes da Grécia, e de Itália, cheira-me que Portugal ainda vai acabar com um governo de salvação nacional com Vítor Constâncio. Fecha-se o ciclo.


Nota: São 9, eu sei, mas não se atrevam a questionar!

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