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Francisco Jaime Quesado 09 de Março de 2007 às 13:59

O Plano Tecnológico não é um PowerPoint

Mais do que nunca, o "Plano Tecnológico" está na ordem do dia. Uma "bandeira" concreta e objectiva do caminho que se tem que seguir na alavancagem estruturante das nossas competências e no aproveitamento adequado das oportunidades existentes.

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Trata-se de um "projecto participado" nacional que impõe uma necessária "concertação operacional" entre todos os actores do tecido social, construindo-se a diferença na "capacidade positiva" de se dinamizarem verdadeiras "plataformas activas" de distribuição e endogeneização de valor. Valor emergente do conhecimento, que se consolide como o verdadeiro "upscaling" das dinâmicas de funcionamento operacional do país.

A "tecnologia" não é claramente um fim em si mesma. Como muito bem nos referencia Maria João Simões, a propósito da influência da "tecnologia" no reforço das dinâmicas de participação política das pessoas, há um "capital social distintivo" que tem que ser aproveitado. É aí que reside a essência do "Plano Tecnológico". Um Plano Activo que projecta  com "inteligência criativa" Portugal no circuito das "redes internacionais" que interessam e que com isso obriga o "tecido social" a mobilizar-se para o desafio da competitividade operativa à escala global.
  
Uma questão de escala global

Para Martin Wolf, conhecido articulista do Finantial Times, "a Globalização importa e é um activo a ter em conta na consolidação dos processos estruturantes de Competitividade por parte das Empresas e dos Países". Num mundo em rápida mudança, marcado nos tempos mais recentes por acontecimentos tão díspares  importa amadurecer "guidelines estratégicos" de avaliação do posicionamento do nosso país no contexto das diferentes frentes da envolvente internacional. Ou seja, há que claramente parametrizar as variáveis de "envolvimento global" de Portugal.

Thomas Friedman, no seu recente "The World is Flat" é muito claro ao assumir que "num mundo cada vez mais marcado pelas tendências de transversalidade estratégica entre países e com as surpresas positivas da Índia e da China a marcarem a agenda das decisões e dos posicionamentos globais" importa "os actores da sociedade civil assumirem dinâmicas de antecipação e de clarificação de opções a médio/longo prazo". Também Renée Mauborgne, conhecida especialista em Estratégia no INSEAD, no seu recente "Ocean Blue", de Harvard, nos fala da "necessidade de descomoditizar produtos e serviços e codificar um caminho  de qualidade e distinção qualitativa na abordagem dos mercados".

O que é necessário para Portugal encontrar e apostar nos seus "ocean blue"? Claramente que redefinir posicionamentos de segmentação do ponto de vista de mercados e de "articulações de cooperação adequadas". Neste sentido, e em face dos inúmeros processos e tendências em curso no quadro deste "ajustamento global" em andamento, impõe-se a leitura operativa de alguns processos decisivos nesta matéria nos tempos mais próximos e que enquadram em várias frentes de abordagem.
  
O papel do tecido social

Neste contexto de rápida mudança do quadro global, nunca como agora o papel das pessoas se tornou complexo e estrategicamente instável. Por um lado, a dinâmica galopante das "expectativas positivas" das redes sucessivas de imigrantes confrontados com uma fronteira de oportunidades de inserção profissional e social limitadas. Apesar dos avanços positivos feitos em matéria de apoio aos imigrantes, no quadro de políticas públicas de apoio positivo, o certo é que o panorama de evolução previsível nos próximos tempos não se afigura como o mais adequado em termos de capacidade efectiva de integração activa dos imigrantes entre nós.

Por outro lado, no sentido oposto, com o aumento do desemprego, particularmente em áreas territoriais localizadas sem alternativas imediatas (como é o caso do Vale do Ave e do Interior em geral), está a despontar um novo fenómeno de emigração idêntico ao ocorrido nos anos 60 e 70, direccionado para a construção civil e outras actividades similiares um pouco por toda a Europa. Independentemente da existência dum reconhecido fenómeno de "emigração de talentos" registada nos últimos anos e naturalmente potenciadora  duma imagem de modernidade para o nosso país, claramente que não é muito abonatório reeditar quarenta anos  depois o fenómeno da "desertificação" do interior por via da emigração. Donde, há que ter em atenção qual verdadeiramente o papel das e para as pessoas neste contexto de globalização do nosso país.

Anthony Giddens é muito objectivo quando nos fala do "papel decisivo das Empresas enquanto actores concretos da Globalização". São as Empresas o agente central de criação de riqueza e de consolidação de processos de desenvolvimento sustentado nos países. Boas empresas são a base de países com indicadores adequados de desenvolvimento estratégico – para Portugal importa neste contexto definir com precisão qual o papel das "suas empresas" neste novo contexto de Globalização que se avizinha. Entre as várias situações em jogo, três ganham particular relevância: as empresas mais tradicionais, onde a "reengenharia da cadeia de valor" não foi assegurada e as dinâmicas de sobrevivência se revelam insustentáveis; os processos de "empreendedorismo de inovação" em curso, com efeitos de "clusterização" territorial e alavancagem de dinâmicas de interface com entidades ligadas à Universidade e à Investigação; o papel central do Investimento Estrangeiro como catalisador positivo de novas competências potenciadoras de valor acrescentado.

Em tempo de consolidação da aposta do paradigma tecnológico, uma questão para cada uma destas dimensões de análise:

– Que política estratégica de reconversão das empresas e sectores em fase de "downsizing"?
– Que política estratégica de "consolidação pela dimensão e valor" ao "empreendedorismo?
– Que política estratégica de "efectiva captação de IDE de Valor Acrescentado Sustentado?

São assim outras as variáveis para uma Nova Centralidade de Portugal. Portugal tem claramente que esquecer a dimensão periférica da sua localização geográfica. Importa redefinir e reposicionar a "centralidade adequada" de Portugal. Virada para as variáveis da Nova Competitividade – aposta no valor empreendedor das pessoas, nos eixos de articulação operativa mais estruturantes (clarificação do conceito PALOP, endogeneização de valor na ligação a Espanha, promoção de cadeias de serviços e produtos complementares entre parceiros), na permanente actualização duma "carteira de fluxos"  suficientemente representativa das dinâmicas mais globais. É esse o único caminho possível e com sentido para Portugal. Importa saber construí-lo. Um desafio colectivo que nos deverá empolgar e motivar. Para valer a pena. Para verdadeiramente "abrir" as Novas Fronteiras dum Portugal Tecnológico estruturado e a pensar no futuro.

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