Um primeiro-ministro sem pachorra
José Sócrates controlou e ganhou o debate político sobre o Orçamento. A vitória foi clara mas a sessão foi uma estopada: poucas alternativas à direita, irrealismo q.b. à esquerda.
E um primeiro-ministro igual a si próprio: sem pachorra para as críticas, irritado com os formalismos e permanentemente crispado com os jornalistas. Até a entrega do CD com os estudos da Ota à assembleia pareceu constituir um frete de proporções inimagináveis para José Sócrates. E talvez esse enfado não disfarçado do primeiro-ministro com os rituais da democracia justifique que Francisco Louça diga dele o que António Guterres dissera de Cavaco Silva: que vê as pessoas como números. Numa coisa, Louçã tem razão – o futuro e a credibilidade de José Sócrates dependem de números: do desemprego, do défice, dos funcionários públicos. Esse foi o jogo que Sócrates aceitou jogar quando decidiu cortar a direito e disparar em várias direcções. O desafio exige nervos de aço. E qualquer sinal de irritação pode ser mal interpretado.
Mais lidas