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Nicolau do Vale Pais 17 de Fevereiro de 2012 às 11:39

Variações sobre Madonna (a loira não é burra)

Madonna Louise Ciccone, nascida no Michigan em 1958, vale 325 milhões de dólares, diz a "Forbes", a revista que é uma bíblia nestas coisas do recheio das carteiras das estrelas.

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"Pobre é o Homem cujo prazer depende do consentimento dos outros." Madonna


Madonna Louise Ciccone, nascida no Michigan em 1958, vale 325 milhões de dólares, diz a "Forbes", a revista que é uma bíblia nestas coisas do recheio das carteiras das estrelas. De 1985 para cá, vendeu mais de 300 milhões de discos, sendo a artista feminina a solo mais bem sucedida de todos os tempos. Considerada pela revista "Time" uma das mais influentes figuras da música contemporânea, a impiedosa artista está de volta, para reclamar o que é seu: um território único de que é rainha e fundadora há muito. Gagá? Ainda não...

Filha de um italo-americano e de uma Canadiana, Madonna queria dançar e partiu do industrial Michigan, para a insone Nova Iorque, no início dos anos oitenta; tinha perdido a mãe para um cancro aos cinco anos de idade. Obrigada a crescer depressa demais, a obcessão com a perfeição cresceu consigo "como uma forma de sobreviver", dizia à "Vanity Fair" há uns anos atrás. A aventura nova-iorquina envolveu as dificuldades ditas "do costume", para quem arrisca tudo num mercado saturado de talentos sem sítio onde cair mortos, como é o americano. Em 1984, chega o contrato com a Warner e "Like a Virgin"; com este hit, a magnífica polémica não mais pára de lhe abrilhantar a carreira. Como habitual, a América evangelista e purista não perdoa - herege, abusadora, promotora de sexo pré-marital, destruidora de valores familiares, são alguns dos impropérios com que alavanca inteligentemente o seu sucesso. A América reaccionária terá falhado em perceber que os putos desguedelhados que compravam os discos desta "bruxa", eram os mesmos querubins aprumados que se sentavam nos bancos das igrejas de província, a ouvir o reaccionarismo primário pregar as virtudes públicas para encobrir os vícios privados. E ainda faltavam uns anos para "Papa don't preach" ou "Like a Prayer" - temas dessassombrados, revolvendo assuntos tão delicados quanto o aborto ou a devoção incondicional - para não falar da sua primeira grande performance na MTV, vestida de noiva, capaz de fazer corar as pedras da calçada. Tudo menos virgem, portanto.

Fé, sexualidade, mestiçagem, evangelhos, ambiguidade sexual, emancipação, libertinagem, os equívocos dos subúrbios, da "classe média". A loira não é burra: Madonna produz uma especial forma de criatividade, libertária pela forma aguda como percebe que a sociedade de consumo só tem real interesse como plataforma de acesso à volatilidade e primitivismo humanos - os delírios securitários do capitalismo são isso mesmo: delírios para serem interrompidos pelo próximo choque. Artista pop por excelência pela forma como reinventa, recria e celebra a vulgaridade da nossa iconografia quotidiana, Madonna vive bem a cantar mal. Há umas semanas atrás, no Superbowl, ressurgiu no seu campo de batalha preferido, o palco. Aí, legitima com mestria ímpar e uma qualidade de espectáculo de topo planetário, toda a fortuna que o seu nome de "nossa senhora do sexy" vale. O caso desta rapariga para quem Jean-Paul Gaultier desenhou um soutien blindado capaz de pôr na linha o mais arreigado sexista, é mesmo de "ver para crer", um pecado original. É em Coimbra, no dia 24 de Junho e os bilhetes já estão à venda. Há quanto tempo estão os insuspeitos U2 a "repetir a fórmula"?... Pois, viva a equidade e a igualdade entre sexos.

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