pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque
Celso Filipe - Diretor-adjunto cfilipe@negocios.pt
17:56

António Mota, o engenheiro que fez acontecer

O empresário deixa um legado que é o espelho das suas qualidades. E que só se constrói em comunhão com aqueles de quem se depende.

A morte convoca sempre, na memória de quem fica, o melhor de quem parte. O desaparecimento físico de António Mota [1954-2025], o engenheiro que transformou numa multinacional a construtora fundada pelo pai, em Angola, no ano de 1947, traz para primeiro plano as suas inegáveis qualidades enquanto gestor.

Por cinco razões. A primeira foi a capacidade para fazer crescer a empresa que lhe foi deixada pelo pai. A segunda passou por perceber que Portugal, enquanto mercado, era demasiado pequeno para as suas ambições. A terceira foi a de se fortalecer para ser tornar mais competitiva E é por isso que lança a OPA à Engil em 1999 e a Mota e Companhia se passa a denominar Mota-Engil. A quarta foi a de diversificar e internacionalizar a empresa. A quinta foi a de saber sair a tempo da gestão ativa da empresa, sem que isso tivesse significado um afastamento do centro de decisão da mesma.

António Mota escolheu os seus sucessores como CEO da Mota-Engil, Jorge Coelho, Gonçalo Moura Martins, e  por fim o sobrinho, Carlos Mota dos Santos, sem deixar de ser uma referência para a liderança da empresa.

António Mota integrou uma geração de empresários sem medo de expressar as suas opiniões, da qual também fizeram parte, entre outros, Belmiro de Azevedo, Américo Amorim ou Alexandre Soares dos Santos.

Na hora da sua morte, António Mota deixa um legado empresarial  que é o espelho das suas qualidades. E que só se constrói em comunhão com aqueles de quem se depende, sobretudo dos trabalhadores.

"Para ele a matriz familiar da empresa derivava não apenas da estrutura acionista, mas sobretudo dos milhares de famílias a quem assegurava o sustento. Um entendimento de responsabilidade social herdado dos pais, cujo corolário foi a criação de uma fundação como forma de organizar e expandir uma atividade filantrópica única no universo português", escreveu o professor universitário Alberto Castro, membro do júri do Negócios que atribuiu o Prémio Carreira a António Mota a 5 de novembro deste ano, no âmbito da conferência anual do jornal "#O Poder de Fazer Acontecer".

Em vida, António Mota distinguiu-se por saber fazer acontecer, transformando a Mota-Engil numa empresa campeã nacional.

Ver comentários
Ver mais
Publicidade
C•Studio