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Helena Garrido - Directora do Jornal de Negócios Helenagarrido@negocios.pt
14 de Junho de 2010 às 11:35

Elogio aos políticos

Sim, merecem ser elogiados e incentivados. Este é um tempo em que se os políticos desistirem estaremos perdidos, na Europa e em Portugal. Mário Soares, que enfrentou com custos eleitorais um dos períodos mais...

Sim, merecem ser elogiados e incentivados. Este é um tempo em que se os políticos desistirem estaremos perdidos, na Europa e em Portugal.

Mário Soares, que enfrentou com custos eleitorais um dos períodos mais difíceis da recente história portuguesa, escreveu um pequeno livro dedicado aos jovens e numa colecção organizada por António José Teixeira, que se chama "Elogio da Política". A "Política (com P grande)", escreve Soares, "sempre foi, é e será uma das actividades mais nobres do homem quando exercida desinteressadamente e ao serviço da colectividade".

No filme "Parlez-moi de la pluie" de Agnès Jaoui, a sua personagem Agathe Villanova, feminista e que se dedica à política, tem um desabafo que poderia bem ser dito em uníssono por muitos políticos com P grande. Citando de memória, pergunta-se ela, exausta, porque se terá dedicado a uma actividade que exige tudo mas nunca merece agradecimento, que tem, sempre, do outro lado insatisfeitos e criticos.

É muito fácil criticar os políticos, grandes protagonistas do espaço público. Os que ganharam, ganham (e ganharão?) com a violência crescente com que se criticam os políticos vão-se mantendo na sombra, enchendo os bolsos, muitas vezes à custa dos políticos e sem que ninguém veja ou queira ver. Há um batalhão de gente que vive explorando as fragilidades e incongruências das democracias, como por exemplo o facto de se querer votar mas não querer pagar as eleições.

Há políticos com p pequeno? Sem dúvida. Como há em todas as áreas de actividade. Mas quantos são, os de todas as outras actividades, aqueles que raramente têm um elogio ou que por cada erro que cometem ou que tiveram no seu passado são julgados em praça pública?

Na difícil conjuntura económica e financeira em que vivemos, já assistimos a sacrifícios que estão no limite da racionalidade. E aqui cite-se apenas um exemplo internacional, o de Angela Merkel. Apontada como a responsável pelo estado a que chegou a instabilidade financeira na Zona Euro, Angela Merkel tem a seu crédito o facto de ter já sacrificado uma vitória eleitoral para salvar a União Monetária. Podia ter feito mais, mais cedo e diferente? Claro que sim. Mas ninguém saberá se, facilitando a solução para a Grécia, não estaria a condenar o euro, ampliando o descontentamento dos alemães com a moeda única.

Hoje precisamos de políticos corajosos, persistentes e capazes de pensar em soluções que, num só vértice, resolvam os graves problemas que a Europa enfrenta, ofereçam às pessoas mais segurança no futuro e controlem os monstros nascidos com a globalização desregulada. E precisamos da visão dos políticos mais do que nunca nas últimas décadas e talvez tanto quanto nos tempos que se seguiram à segunda Guerra Mundial.

Soluções técnicas existem sempre. O que precisamos hoje é daquilo de que é feito um político com P grande, alguém que é capaz de ver para além da poeira dos dias e por isso consegue levar o seu povo para um lugar mais seguro no presente mas especialmente melhor no futuro.

O que nos espera se os políticos desistirem ou escolherem os caminhos fáceis de agradar sem olhar para o futuro será o fim das longas décadas de paz e prosperidade que a Europa está a viver desde 1945.

helenagarrido@negocios.pt

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