Armas a sério e tiros de pólvora seca

O "Black Friday", o dia sacrossanto do consumismo, bateu um triste recorde nos Estados Unidos. Nesse dia, 24 de Novembro, o FBI recebeu 203.086 pedidos de informação de antecedentes, o que significa que outro tanto número de pessoas adquiriu uma arma no "Black Friday".
Jornal de Negócios
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Celso Filipe 29 de novembro de 2017 às 09:30

Segundo a jornalista do El País, Amanda Mars, que se baseou em dados divulgados pelo USA Today, a quantidade de armas vendidas neste dia significou um crescimento de 10% relativamente ao ano anterior, sendo que 2016 já tinha sido também um ano recorde.
Depois de tragédias como as de Sutherland Texas (26 mortos) e Las Vegas (59), uma das cínicas reacções foi a subida das acções das empresas fabricantes de armas. A outra foi uma corrida às armas. "A razão para tal é o medo de que os pedidos para aprovar grandes restrições à venda se concretizem após essas tragédias. É isso que leva os americanos a fazerem o aprovisionamento de armas", escreve Amanda Mars.
Este país, que visto à distância parece paranóico, parece ter um Presidente à medida, o qual é glosado por Ferreira Fernandes no DN. O jornalista, na sua crónica "Um ponto é tudo", inventa um tweet de Donald Trump: "Devia haver um concurso para saber qual das televisões, mais a CNN e sem incluir a Fox, é a mais desonesta, corrupta e distorcida sobre a política do vosso Presidente favorito (eu). Todas são más. O vencedor receberá o troféu de Notícias Falsas!" E termina com um lamento: "Só é injusto que ele não me deixe também concorrer com esta crónica."
Por cá, os tiros são de pólvora seca e tem que ver com o facto de o Governo ter dado o dito por não dito na taxa sobre as renováveis. "Entre as críticas ao poder económico das empresas, especialmente a EDP, o debate vai deixando instalar a ideia de que nesta música, boa ou má, o legislador e o regulador se demitem de dirigir a orquestra. Assim, é difícil confiar", escreve Lurdes Ferreira no Público.

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