Navigator dita recuo do lucro da Semapa para 157 milhões em 2025
A Semapa prevê fechar a venda da Secil à Cementos Molins por 1,4 mil milhões no final de março. O resultado líquido do negócio do cimento, agora descontinuado, cresceu mais de 86% no ano passado. A venda reduz 260 milhões à dívida do grupo.
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A Semapa registou em 2025 lucros de 156,6 milhões de euros, o que representa uma quebra de 32,7% face aos 232,7 milhões apurados em 2024. O valor do resultado líquido inclui o contributo da Secil, cuja venda foi acordada em dezembro passado à Cementos Molins por 1,4 mil milhões de euros e que deverá ser fechada no final de março.
No comunicado de apresentação de contas à CMVM, o grupo liderado por Ricardo Pires refere que o resultado líquido do negócio do cimento, agora descontinuado, foi de 84,8 milhões, mais 86,2% do que no ano anterior, enquanto o da pasta e papel ficou-se pelos 142,9 milhões, menos 48,2% face ao período homólogo.
O volume de negócios consolidado somou 2.114,9 milhões de euros, menos 1,6% do que em 2024, dos quais 1.969,8 milhões de euros foram gerados na Navigator (menos 5,7% do que um ano antes) e 145,2 milhões de euros (mais 140%) no segmento de outros negócios, onde se incluem a ETSA e a Triangle’s. As exportações e vendas no exterior neste período ascenderam a 1. 826,5 milhões de euros, o que representa 86,3% do volume de negócios.
A Semapa explica o aumento do volume de negócios dos outros negócios "devido ao crescimento orgânico, à incorporação da Barna na ETSA e à consolidação da Imedexa desde agosto”, frisando que “compensou parcialmente a diminuição registada na Navigator, decorrente da queda dos preços na pasta e papel e apesar do bom desempenho do tissue e do packaging”.
Considerando o contributo da Secil a 31 de dezembro de 2025, o volume de negócios seria de 2.865,2 milhões de euros, mais 0,6% face a 2024.
O EBITDA consolidado totalizou 381,2 milhões de euros, menos 29% comparativamente com 2024, dos quais 375,7 milhões foram gerados na Navigator e 12,6 milhões de euros no segmento de outros negócios. A margem EBITDA consolidada atingiu 18%, menos 7 pontos percentuais do que no ano anterior.
“O EBITDA foi impactado pela performance inferior à registada no período homólogo de 2024 da Navigator (menos 31,3%), parcialmente compensada pelo segmento de outros negócios (mais 203,4%), diz a holding. Já considerando o contributo da Secil a 31 de dezembro de 2025, o EBITDA seria de 580,2 milhões de euros, equivalente a uma quebra de 17,4% face a 2024.
Na apresentação dos resultados, a Semapa salianta que no ano passado investiu um valor total de 459 milhões de euros, dos quais 230 milhões de euros em investimentos em novos negócios (participações financeiras). Considerando o contributo da Secil, a 31 de dezembro de 2025, o valor total de investimento seria de 545 milhões.
No ano passado o grupo fez aquisições em Espanha, como a Imedexa, em julho, por uma contrapartida de 148 milhões de euros, depois de em janeiro a sua participada ETSA ter adquirido a Barna por 33,5 milhões de euros. Também a Semapa Next realizou investimentos de “follow on” no valor de 49 milhões de euros em sete empresas e nos fundos em que é participante.
Sobre a venda da Secil, por um enterprise value de 1,4 mil milhões de euros, diz que “a operação representa um movimento estratégico para reforçar a capacidade financeira e de investimento do grupo e focar o seu portefólio em áreas prioritárias de crescimento dentro da estratégia delineada”.
No final de 2025, a dívida líquida remunerada consolidada atingiu 1.006,1 milhões de euros, inferior em 85,6 milhões de euros relativamente ao final de 2024, “resultante da diminuição decorrente da reclassificação da dívida da Secil e do aumento da dívida nos restantes segmentos”. Considerando o contributo da Secil a 31 de dezembro de 2025 a dívida líquida remunerada seria de 1.266 milhões de euros.
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