Na semana em que acontece a reunião anual do Fórum Económico Mundial, que arrancou esta segunda-feira em Davos, as viagens dos participantes geram críticas da Greenpeace. A análise Davos in the Sky, publicada pelos ambientalistas, conclui que um em cada quatro participantes do encontro chega à região em jato privado, transformando temporariamente os aeroportos locais num hub de aviação de luxo.
O estudo, encomendado pela Greenpeace à T3 Transportation Think Tank, analisou o tráfego aéreo privado nos aeroportos em redor de Davos entre 2023 e 2025. Durante a semana do World Economic Forum de 2025, foram identificados 709 voos adicionais de jatos privados, um aumento de 10% face a 2024 e três vezes mais do que em 2023. O crescimento não resulta de mais participantes, mas de chegadas e partidas repetidas, com várias aeronaves a entrar e sair da região ao longo da mesma semana.
“É pura hipocrisia que a elite mais poderosa e super-rica do mundo discuta os desafios globais e o progresso em Davos, enquanto literalmente queima o planeta com as emissões dos seus jatos privados”, acusa Herwig Schuster, responsável de campanhas da Greenpeace. Para o ativista, “o momento de agir é agora”, defendendo que os governos devem travar os voos de luxo poluentes e taxar os super-ricos pelos danos que causam.
De acordo com os autores do relatório, cerca de 70% das rotas feitas por jatos privados poderiam ter sido realizadas de comboio no espaço de um dia, ou através de ligações noturnas, reduzindo drasticamente a pegada carbónica associada ao evento. A análise mostra ainda que, durante o Fórum, aumenta também o peso dos voos de longo curso, nomeadamente com origem na América do Norte e Ásia, o que agrava o impacto climático.
O relatório apresenta exemplos concretos de emissões, apontando que um voo em jato privado entre a Califórnia e a Suíça pode emitir mais de 37 toneladas de CO2, enquanto trajetos europeus de poucas centenas de quilómetros continuam a gerar emissões muito superiores às alternativas ferroviárias. Mesmo as aeronaves consideradas mais eficientes “excedem facilmente as emissões por quilómetro de um automóvel em mais de 20 vezes”, sublinha o documento.
Perante estes dados, a Greenpeace apela ao avanço das negociações da Convenção das Nações Unidas sobre Fiscalidade, com vista à criação de novas regras fiscais globais até 2027, incluindo uma taxa específica sobre a aviação de luxo, como jatos privados e lugares de primeira classe e executiva.