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Portugal é o país da UE que menos conhece o rótulo ecológico europeu

Mais de metade dos portugueses não conhece o símbolo que identifica produtos com menor impacto ambiental. Na União Europeia, a confiança na certificação cresce e já chega a 81% dos consumidores.

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supermercado, compras, alimentos, consumo, Getty Images
09 de Outubro de 2026 às 17:35
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A pequena flor que identifica os produtos certificados pelo rótulo ecológico da União Europeia (UE) continua a passar despercebida a muitos portugueses, com o país a ser, entre os 27, aquele onde o desconhecimento do símbolo é maior. Ao mesmo tempo, os consumidores europeus revelam uma confiança crescente nesta certificação ambiental, revela um novo Eurobarómetro, divulgado esta quinta-feira, que mostra que 57% dos inquiridos em Portugal não estão familiarizados com o rótulo, acima dos 42% registados na média europeia.

Apenas 32% dos portugueses afirmam reconhecer o símbolo, um resultado que contrasta com o Luxemburgo, onde essa proporção chega aos 71%. A diferença mostra como o desconhecimento pode limitar o peso da certificação nas escolhas de compra, aponta o comunicado.

Na Europa, porém, a tendência é diferente. Oito em cada dez consumidores da UE (81%) confiam que os produtos com o rótulo ecológico europeu têm um impacto ambiental inferior ao de alternativas semelhantes, contra 75% em 2023. Também na notoriedade houve progressos, com 46% dos europeus a reconhecerem o símbolo, mais oito pontos percentuais do que há três anos.

Essa maior familiaridade começa também a refletir-se nas compras e, aponta o Eurobarómetro, dois terços dos europeus (66%) dizem adquirir frequentemente ou ocasionalmente produtos com algum tipo de certificação ecológica. Quando a pergunta se refere especificamente ao rótulo da UE, a percentagem desce para 46%, ainda assim mais oito pontos do que no inquérito anterior. Em Portugal, 11% dizem comprar regularmente produtos com esta certificação e 31% fazem-no ocasionalmente, enquanto 17% afirmam nunca os adquirir.

Criado em 1992, o rótulo ecológico europeu distingue bens e serviços que cumprem critérios ambientais definidos para cada categoria, tendo em conta os impactos ao longo do ciclo de vida. Pode encontrar-se em detergentes, papel, mobiliário, têxteis e até alojamentos turísticos. Ao contrário de uma alegação ambiental feita pela própria marca, a atribuição depende da verificação de requisitos por uma entidade competente.

Metade dos europeus gostaria de encontrar mais detergentes com esta certificação, 36% apontam os têxteis e 35% os cosméticos. Quase três quartos (72%) defendem que o sistema seja alargado a outras categorias de produtos.

Em setembro, existiam mais de 121 mil produtos e serviços abrangidos pelo rótulo, distribuídos por 3.665 licenças, o valor mais elevado de sempre. Desde março foram acrescentados mais de quatro mil produtos certificados e já existem mais de mil alojamentos turísticos com a distinção. As pequenas e médias empresas representam 62% dos titulares de licenças.

Para Jessika Roswall, comissária europeia responsável pelo Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, o objetivo é proporcionar aos consumidores “escolhas sustentáveis mais fiáveis” e ajudar as empresas a “transformar a ambição ambiental em ação”. A responsável considera que o crescimento do sistema “promove a sustentabilidade, reforça a competitividade e apoia a inovação em toda a Europa”.