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Portugueses querem mais renováveis, mas exigem confiança nos projetos locais

Quase todos os inquiridos apoiam energia limpa nas suas regiões. Estudo da Marktest mostra ainda que 9 em cada 10 pede ao Governo que invista mais em renováveis para diminuir dependência dos combustíveis fósseis.

20:25
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A transição energética parece ter conquistado os portugueses, segundo um estudo da Marktest para a APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis que mostra que 95% dos inquiridos apoiam a instalação de projetos de energias renováveis sustentáveis nas suas cidades e localidades, no que é considerado um consenso raro num tema com impacto direto no território.

Os dados indicam que o apoio é transversal ao país, incluindo em zonas onde os projetos já existem ou estão previstos. Em Coimbra, um dos distritos com forte presença de projetos renováveis, o apoio local atinge mesmo os 80%. Em Bragança, onde coexistem projetos instalados e novos investimentos previstos, a aceitação chega aos 81%.

Nos distritos com projetos em desenvolvimento, os níveis de concordância também permanecem elevados, com Portalegre a registar 79% de apoio, Beja 76%, Setúbal 74% e Santarém e Évora 71%.

A perceção positiva das renováveis vai além da presença física dos projetos e, segundo o estudo, 91% dos portugueses defendem que o país deve investir mais em energias renováveis em vez de combustíveis fósseis para produzir eletricidade. A mesma percentagem considera importante que a União Europeia e os seus Estados-membros reduzam a dependência energética de países terceiros.

O combate às alterações climáticas surge igualmente como um dos principais motores deste apoio, com cerca de 83% dos inquiridos a reconhecerem que as energias renováveis contribuem para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Já 66% identificam como benefícios muito relevantes tanto a redução do custo da eletricidade como o contributo para travar as alterações climáticas.

Para 85% dos participantes, as empresas privadas devem reforçar o investimento em fontes renováveis, enquanto 88% consideram que o Governo deve criar melhores condições para impulsionar o crescimento do setor.

Além disso, 90% defendem que Portugal deve dar prioridade à instalação de mais projetos renováveis e 80% acreditam que estes devem ocupar um lugar central na política energética nacional.

Apesar do forte apoio, persistem ainda sinais de insatisfação quanto ao ritmo da mudança. Cerca de 65% dos inquiridos consideram que ainda se faz pouco para colocar as energias renováveis ao serviço do combate às alterações climáticas, enquanto 42% acreditam que Portugal continua abaixo da média europeia na utilização destas fontes de energia.

Para Susana Serôdio, coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, os resultados mostram que “os portugueses reconhecem a importância estratégica das energias renováveis e querem participar ativamente nesta transformação”. A responsável sublinha, no entanto, que o sucesso destes projetos depende da relação criada com os territórios. “Os resultados mostram também que o desenvolvimento destes projetos deve assentar numa relação de confiança com os territórios e as comunidades locais”, afirma.

A confiança surge, aliás, como um elemento central na forma como os portugueses encaram novos investimentos. Segundo Susana Serôdio, “a confiança no promotor surge como o fator mais valorizado pelos portugueses no planeamento de novos projetos”, o que reforça “a importância de garantir processos transparentes, participados e próximos das populações”.

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