O projeto europeu Solar-Move, coordenado pelo INESC-ID, quer acelerar a adoção de veículos elétricos através de uma ideia simples: produzir parte da energia onde ela é consumida, seja no próprio veículo, seja nas infraestruturas de carregamento. “À medida que o transporte rodoviário se eletrifica, há uma pressão adicional sobre as redes de energia”, aponta a instituição científica.
Financiado pelo Horizonte Europa e com “um orçamento de cerca de 7 milhões de euros”, a iniciativa arrancou em novembro e prolonga-se por 42 meses. O objetivo passa por “ultrapassar alguns dos desafios associados à utilização de veículos elétricos (VEs), desenvolvendo soluções inovadoras de sistemas solar fotovoltaicos a serem integradas nas viaturas”.
O projeto vai trabalhar em duas frentes, a começar por Sistemas Fotovoltaicos Integrados em Veículos (VIPV) com aplicação de “painéis solares fotovoltaicos” em camiões, autocarros, veículos de recolha de resíduos, carrinhas de entrega e autocaravanas. A segunda são as soluções ePIPV, que preveem “parques de estacionamento com integração de sistemas fotovoltaicos” e combinam produção solar e armazenamento em estações de carregamento em autoestradas e zonas municipais, comerciais ou privadas.
O consórcio reúne 34 parceiros de 16 países e prevê projetos-piloto em sete geografias, incluindo Portugal, onde o foco estará nas “carrinhas de distribuição e gestão de estacionamento público”, além da “integração de sistemas fotovoltaicos com armazenamento em estações de carregamento”. Além do INESC-TEC, a lista de parceiros nacionais inclui os grupos Barraqueiro, MC Sonae/Elergone Energia e EDP R&D, assim como a Boost.
Para lá da componente tecnológica, o Solar-Move quer também transformar resultados em regras e decisões públicas, usando os resultados para contribuir para “recomendações de políticas” e “diretrizes para municípios sobre processos de aquisição e quadros regulatórios”.