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Região Norte prevê uma redução de emissões de 45% até 2030. Mas não chega

Estudo com detalhe municipal mostra que a região já reduziu 20% face a 2005 e identifica o setor dos transportes como o maior obstáculo. Até ao final da década, prevê-se uma redução de apenas 24% nesta área.

17 de Fevereiro de 2026 às 19:41
Barco liga Porto e Gaia de hora a hora até outubro, projeto-piloto da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP)
Barco liga Porto e Gaia de hora a hora até outubro, projeto-piloto da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) Manuel Fernando Araújo / Lusa
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A Região Norte está a reduzir emissões de gases com efeito de estufa (GEE), mas a trajetória ainda não chega para cumprir as metas nacionais. Esta é a principal conclusão do recentemente apresentado pela CCDR Norte, que analisou a evolução entre 2005 e 2023 e traçou projeções até 2030 e 2050. O objetivo deste trabalho é apoiar autarquias e decisores no acompanhamento dos Planos Municipais de Ação Climática. 

“As emissões de gases com efeito de estufa, na Região Norte, têm tido uma evolução descendente, com uma redução de cerca de 20% determinada para 2023, face a 2005”, lê-se no relatório, que acrescenta que para 2030 “prevê-se alcançar uma redução significativa de cerca de 45% das emissões”, ainda assim “abaixo da meta a alcançar, a nível nacional, de 55%”. 

Em 2023, os setores dos Transportes, Energia e Indústria concentravam 73% das emissões regionais, mas é no primeiro, responsável por 45% do total, que está o maior desafio. Apesar das políticas previstas no PNEC 2030 e no RNC 2050 – nomeadamente a renovação de frotas, eletrificação, biocombustíveis e transferência modal - a redução estimada para 2030 é de apenas 24%, longe da meta nacional de 40%. O estudo sublinha ainda que o setor dos Transportes tem registado aumentos sucessivos de emissões desde 2018, interrompidos apenas durante a pandemia, sobretudo devido ao peso do modo rodoviário.

Já a Energia e a Indústria surgem como os setores com maior potencial de corte até 2030, com reduções projetadas de 74%. Nos Serviços, a queda poderá chegar aos 76%, embora com impacto limitado no total regional. 

Por subsetores, a Indústria já tinha reduzido 41% até 2023, muito influenciada pela desativação da Refinaria de Matosinhos, enquanto na produção de eletricidade e vapor prevê-se uma redução muito expressiva de 92% até 2030, sustentada pela eliminação progressiva das centrais a gás natural até 2040 e pelo reforço das renováveis. No caso industrial, a descarbonização deverá assentar na eletrificação de processos, na substituição do gás natural por gases renováveis e em ganhos de eficiência energética, que, no seu conjunto, permitem uma redução estimada de 63%.

Para a vice-presidente da CCDR Norte, Célia Ramos, o estudo “constitui um instrumento fundamental para orientar políticas públicas regionais e acelerar a transição climática”. Mas os resultados, aponta a diretora da Unidade de Ambiente, Paula Pinto, “permitem identificar com precisão os setores onde é mais urgente reforçar o investimento e a ação em descarbonização”, apoiando a construção do Plano Regional de Ação Climática do Norte.

Célia Ramos acrescenta que este trabalho, em conjunto com a visão estratégica do PROT Norte, será base para um plano que pretende ir além da obrigação legal, funcionando como “um guião estratégico para o Norte”, através da combinação da redução de emissões, adaptação aos riscos climáticos e promoção de investimentos verdes envolvendo municípios, empresas e sociedade civil.

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