pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Transporte marítimo de passageiros emite mais do que milhões de carros

Estudo da Transport & Environment aponta que 1.043 ferries emitiram 13,4 milhões de toneladas de CO2 em 2023. Organização defende eletrificação como solução competitiva em muitos percursos.

03 de Março de 2026 às 22:23
Ferries são responsáveis por mais emissões do que os carros em cidades portuárias, diz estudo
Ferries são responsáveis por mais emissões do que os carros em cidades portuárias, diz estudo Brittany Ferries
  • ...

Os ferries que operam na Europa estão a emitir mais dióxido de carbono do que 6,6 milhões de automóveis e, em várias cidades portuárias, são responsáveis por mais poluição atmosférica do que todos os carros juntos. A conclusão é de uma nova análise da Transport & Environment (T&E), que defende uma renovação urgente da frota.

De acordo com o , em 2023 os 1.043 ferries analisados, muitos deles de pequena dimensão, emitiram 13,4 milhões de toneladas de CO2, “o equivalente a 6,6 milhões de carros durante um ano”. Barcelona surge como o porto europeu com maiores emissões de CO2 associadas a ferries. 

Em cidades como Barcelona, Dublin ou Nápoles, os ferries são já responsáveis por mais emissões de óxidos de enxofre (SOx) do que todo o parque automóvel urbano. Dublin é atualmente “a cidade portuária mais poluída da Europa no que diz respeito à poluição atmosférica dos ferries”, seguida de Las Palmas (Espanha) e Holyhead (Reino Unido).

Mesmo no Mediterrâneo, onde já existem zonas de controlo de emissões marítimas, a diferença mantém-se significativa e em Barcelona, por exemplo, os ferries emitem 1,8 vezes mais SOx do que todos os carros da cidade.

A T&E reconhece que os ferries são essenciais para ligar ilhas ao continente e garantir mobilidade regional, mas aponta que a idade média da frota, de 26 anos, revela um parque envelhecido e altamente poluente. “Os ferries devem ligar comunidades, não poluí-las. Demasiados ferries continuam a queimar combustíveis fósseis poluentes, libertando ar tóxico nas cidades portuárias europeias. Eletrificá-los poderia reduzir drasticamente as emissões e trazer uma lufada de ar fresco a milhões de pessoas”, afirma Felix Klann, responsável pelas políticas de transporte marítimo da organização.

A boa notícia, segundo o relatório, é que a transição pode ser mais simples do que noutras áreas do transporte marítimo. Devido à sua menor dimensão e às rotas fixas, os ferries são particularmente adequados à eletrificação, com a T&E a estimar que pelo menos 60% da frota europeia poderá operar com baterias até 2035.

Além disso, mais de metade dos ferries (52%) seriam já hoje mais baratos de operar em versão elétrica do que com combustíveis fósseis, além de que, aponta o documento, a eletrificação e hibridização da frota poderia reduzir as emissões de CO2 até 42%, melhorar a qualidade do ar nas cidades portuárias e baixar os custos operacionais.

“A eletrificação faz sentido do ponto de vista económico. Os ferries elétricos já são mais baratos de operar em muitas rotas, e cada vez mais percursos serão competitivos nos próximos anos. Com uma idade média de 26 anos, este é o momento certo para uma renovação limpa da frota”, acrescenta Felix Klann.

O principal obstáculo identificado é a infraestrutura de carregamento nos portos, mas, ainda assim, a T&E sublinha que o desafio poderá ser menor do que se assume, já que 57% dos portos precisariam apenas de carregadores de pequena dimensão, abaixo de 5 MW, para suportar operações com ferries elétricos.

A partir de 2027, prevê-se que novas zonas de controlo de emissões no Atlântico Nordeste limitem a poluição associada aos combustíveis marítimos, alterando parcialmente o mapa das cidades mais afetadas. Até lá, conclui a organização, a renovação da frota representa uma oportunidade climática e de saúde pública que não deverá ser adiada.

Mais notícias