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A canábis pode fazer mal à carteira

A maior empresa de canábis do Canadá entra esta sexta-feira no principal índice bolsista do país. Mas há quem tenha dúvidas sobre a sustentabilidade desta história de sucesso.

Reuters
Mariana Adam marianaadam@negocios.pt 17 de Março de 2017 às 13:22
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A previsão de que a indústria do canábis seria a próxima 'big thing' está confirmada. Esta sexta-feira, 17 de Março, depois do fecho dos mercados, a Canopy Growth Corp (que na sessão desta quinta-feira encerrou a valorizar 1,84% para 11,08 dólares canadianos na bolsa de Toronto) - a maior fabricante de marijuana do mundo cotada em bolsa, avaliada em 1,23 mil milhões de dólares canadianos - vai integrar o principal índice bolsista do Canadá o S&P/TSX Composite Index.

No ano passado as vendas contabilizadas de canábis no Norte da América ascenderam a 6,9 mil milhões de dólares, mais 30% do que em 2015. Um sucesso alcançado graças ao facto de em quase metade dos EUA ser legal o uso desta droga para fins medicinais. Um mercado que pode ainda tornar-se mais valioso, quando se cumprir a promessa de legalização total no Canadá, que poderá ser uma realidade ainda este ano. Mas estará esta empresa preparada para o provável aumento da procura? A questão coloca-se porque os analistas fazem notar que a Canopy Growth ainda não registou lucros operacionais.

As contas da empresa cotada do sector da saúde são à primeira vista muito boas, mas é preciso cautela, avisam os analistas. Apesar de reconhecer que as acções desta empresa canadiana são 'vencedoras', o Seeking Alpha aponta vários problemas nos resultados da empresa, no Matte's Micro-Cap Research. Nomeadamente o facto de a empresa ter revelado um lucro bruto superior ao das receitas.

A empresa diz ter gerado um crescimento nas receitas de cerca de 400% - para 12,699 milhões de dólares canadianos - e atingido uma margem bruta - de 18,986 mil. Dados que o analista diz serem "enganosos", até porque são "engolidos" pelos custos de produção (19,722 milhões) e pela rubrica do inventário, que ascende a 12,79 milhões. "A empresa usa uma métrica confusa e potencialmente enganosa para calcular os seus lucros brutos. Esta métrica pode estar a esconder o que muitos considerariam uma perda bruta", acrescenta o analista.

Outra das questões levantadas é o facto de a empresa utilizar como receita o lucro com activos como sementes da droga que ainda não geraram a planta do canábis de forma a gerar um lucro maior. Sem esta receita, que de facto ainda não é palpável, o crescimento da Canopy tem margens brutas negativas, garante o analista. Em causa está a avaliação dos activos não realizados, assente no desenvolvimento das plantas desde a semente e nos valores de "fair-value" que está a utilizar nas contas. 

A empresa diz que esta rubrica representa "o valor justo dos activos biológicos". E muitos analistas continuam a defender que esta é uma empresa e um sector onde vale a pena apostar. O CEO e fundador da empresa, Bruce Linton, diz que a entrada no maior indíce de Toronto significa que a empresa atinge agora a "maioridade" e que o futuro é promissor. A Canopy Growth Corp acredita que este passo vai ajudar a criar novos mercados de exportação e acelerar a legalização noutros países. O crescimento dificilmente será alcançado através dos EUA onde, apesar de em oito estados o uso de canábis já ser totalmente legal, o presidente Donald Trump prometeu apertar as regras da utilização de canábis para uso recreativo.
 
O ano passado a Canopy, fundada em 2014, foi a primeira empresa de canábis da história a atingir uma valorização superior a 1.000 milhões de dólares, um unicórnio (denominação das startups com tanto potencial que em pouco tempo conseguem passar a barreira de mil milhões de dólares).

A Canopy é líder mundial em canábis, agregando várias marcas e variedades desta droga como em extracto seco e óleo. Através das suas subsidiárias, a empresa canadiana opera em diversos sectores de produção e tem instalações com mais de meio milhão de metros quadrados de capacidade de produção.

De acordo com um recente relatório do ArcView Market Research, o canábis é "indiscutivelmente" a indústria com um mais rápido crescimento no mundo. "As previsões apontam para uma taxa de crescimento anual na ordem dos 26%, até chegar aos 21,6 mil milhões de dólares em 2021", lê-se no mesmo relatório.

De acordo com a Investopedia, são já vários os fundos de capital de risco e "private equity" que investiram centenas de milhões de dólares em projectos relacionados com a venda de marijuana nos Estados Unidos.

A partir de segunda-feira, os investidores vão ver este unicórnio no índice de referência, com o seu já conhecido ticker de "WEED". Desde o início do ano, a Canopy valoriza 21,23%, valendo actualmente 1,76 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 1,23 mil milhões de euros).

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