ArcoMadrid “me mata”
O investidor nacional em arte, caso seja prudente e avisado, já terá começado a desenhar a sua estratégia para a campanha 2017 da ArcoMadrid, que abre a VIP no próximo dia 20. Serão a considerar, nesta estratégia, várias dimensões bastante relevantes. Antes de todas as outras, a feira é um dos poucos observatórios directos que o investidor português tem para conhecer o real valor da arte portuguesa no mercado global.
Efectivamente, a presença forte de galerias portuguesas, entre elas a Mário Sequeira, a 3+1 e a Cristina Guerra, permitirá avaliar a recepção aos artistas nacionais, mas, principalmente, os valores que a procura lhes irá atribuir. Este ponto é especialmente importante porque continua a existir um fosso entre o valor artístico e o valor da arte portuguesa no mercado global, mas também porque os agentes do mercado nacional persistem numa política de não revelação de valores monetários, o que torna o circuito amador e obscuro.
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Outra dimensão certamente a ter em conta é a inserção do investidor no espaço de privilégio que a feira proporciona. Estamos a falar de um espaço de ocupação frenética do tempo durante a duração da feira, que inclui, entre outros pontos de elevado interesse, conversas com artistas, curadores e investidores de topo, visitas privadas a colecções e exposições, participação em conferências.
Ou seja, estamos a falar de acesso e tempo, condições essenciais para adquirir informação privilegiada sobre aquilo que conta: as tendências do mercado neste momento e no futuro próximo, as confirmações do valor de artistas e uma preciosa indicação sobre artistas que estão prestes a tornar-se visíveis.
Uma terceira dimensão a ter em conta para o investidor nacional é, claro, a da compra da arte disponível. Excluindo o investimento por emoção, muito importante neste campo, o investidor deverá procurar perceber que a oferta da ArcoMadrid, assente nos artistas espanhóis e latino-americanos, é uma operação conjunta que procura um lugar de relevo no mercado global para um sector, exactamente o da arte produzida pelos artistas referidos, que ainda está algures entre a periferia e o centro.
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Assim, o estatuto de enorme valor dado pela feira e pelas galerias aos artistas em que apostam pode não corresponder, de modo algum, ao seu valor de mercado futuro. Obviamente, o risco faz parte do mercado, e este não é excepção.
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*Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.
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