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Afinal, o Islão trata mal as mulheres?

A ideia de opressão sobre o sexo feminino no mundo islâmico ganhou ainda mais força agora que os talibãs voltaram ao poder no Afeganistão. Mas será que esta visão é correta? Vários investigadores de diferentes vertentes dos estudos islâmicos respondem que não. Se é certo que há muitas situações graves contra as mulheres, que é preciso combater, também é verdade que o Islão é muito diverso. Há diferentes interpretações da Sharia, a lei islâmica, que variam de país para país.
Filipa Lino 10 de Setembro de 2021 às 11:00

"Não temos medo, estamos unidas", gritou há dias um grupo de mulheres nas ruas em Herat, uma cidade no Oeste do Afeganistão, perto da fronteira com o Irão. Naquele território a linha do tempo está a andar para trás a grande velocidade. A tomada do poder pelos talibãs significa um retrocesso nos direitos das afegãs. Durante o anterior regime dos "estudantes", entre 1996 e 2001 foi-lhes imposta uma lista de proibições ao abrigo da Sharia, a lei islâmica. Não podiam trabalhar fora de casa (com algumas exceções na área da saúde), ficaram impedidas de sair de casa sem estarem acompanhadas pelo marido ou um familiar do sexo masculino, não podiam frequentar a escola e eram obrigadas a usar burca. Quem não respeitasse estas regras era severamente punida.

 

Nos últimos 20 anos, com o afastamento dos talibãs do governo, as afegãs foram gradualmente ganhando alguns direitos. As meninas voltaram a ir à escola e as mulheres trabalhavam e até ocupavam cargos públicos. Agora, com o regresso deste grupo extremista ao poder, o pânico instalou-se. Muitas mulheres foram a correr comprar burcas com medo de represálias. Mas outras não baixaram os braços e estão a manifestar-se nas ruas exigindo que os seus direitos sejam respeitados.

 

Esta semana, dezenas de afegãs protestaram em Cabul e na província de Badakhshan contra o facto de o novo executivo interino talibã ser composto só por homens. As manifestações foram interrompidas à força e, de acordo com a BBC, algumas mulheres foram agredidas.

 

Desta vez contam com um aliado de peso – as redes sociais. É por essa via que estão a dizer ao mundo o que se está a passar. São sobretudo as mulheres mais jovens e com estudos que estão na linha da frente desta "guerra" contra os talibãs.

 

A diversidade feminina no Islão

 

O foco mediático sobre as afegãs voltou a trazer para a praça pública o tema da opressão das mulheres muçulmanas. No Ocidente, em geral, elas são vistas como vítimas, pessoas com poucos direitos e sem liberdade de escolha. Uma visão enviesada, garante Catarina Belo, professora na Universidade Americana do Cairo. "Claro que a situação é diferente da Europa, mas acho que não se pode falar desse quadro de opressão generalizada."

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