A Bel Portugal quer afirmar-se como uma das empresas mais sustentáveis do setor alimentar, com uma estratégia que começa na produção de leite e termina no produto que chega ao consumidor. Nos Açores, território onde está enraizada a marca Terra Nostra, a empresa tem vindo a desenvolver um modelo assente nos laticínios de pastagem, na agricultura regenerativa e na valorização dos produtores.
O programa Leite de Vacas Felizes nasceu há dez anos com esse objectivo. Mais do que uma assinatura de marca, é apresentado pela empresa como um programa de sustentabilidade que pretende criar valor para os Açores, para os solos, para os animais, para os produtores e para as gerações futuras.
Para integrar o programa, os produtores têm de passar por um processo de certificação avaliado por uma entidade externa. A certificação exige o cumprimento de 90% das boas práticas definidas pela Bel Portugal, que acompanham dimensões como o bem-estar animal, a qualidade da produção, as práticas agrícolas e a sustentabilidade das explorações.
A empresa mantém equipas no terreno que trabalham diariamente com os produtores para garantir o cumprimento desses critérios. Quando as exigências não são cumpridas, os produtores podem deixar de integrar o programa. A Bel assume esta monitorização como uma das bases da credibilidade do projecto e como uma condição para sustentar a promessa feita ao mercado.
Na componente industrial, a fábrica tem o queijo como principal produto, com uma produção anual de cerca de 11 mil toneladas. A operação está também a ser orientada por metas de eficiência, com objectivos de redução de consumo energético de 3% ao ano e de consumo de água de 1% ao ano. A unidade conta ainda com um parque fotovoltaico, com produção anual na ordem dos 300 megawatts-hora, e com processos cada vez mais automatizados.
A digitalização é outro eixo da transformação. A recolha e tratamento de dados permitem acompanhar tendências, melhorar a operação e dar mais informação aos operadores, que passam a ter um papel mais centrado no controlo das linhas do que na execução manual das tarefas.
Para os produtores, a adesão ao programa representa também um desafio de adaptação. As exigências colocadas pela Bel Portugal procuram reforçar boas práticas agrícolas, bem-estar animal e responsabilidade social no sector. A empresa defende que uma produção mais sustentável torna as explorações mais resilientes, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também financeiro e social.
Essa visão é particularmente relevante num sector exigente, marcado pelo trabalho ao ar livre e por uma actividade que decorre todos os dias do ano. Para os produtores, o contacto com os animais e com a natureza continua a ser uma das dimensões mais gratificantes da actividade, mas exige modelos que permitam assegurar continuidade, rendimento e qualidade de vida às comunidades rurais.
A Bel Portugal assume que os principais impactos ambientais da sua actividade estão ligados à agricultura. Por isso, tem apostado em técnicas de agricultura sustentável e apresenta-se como pioneira na agricultura regenerativa em Portugal. A ambição é reduzir impactos, melhorar a qualidade dos solos e reforçar a sustentabilidade das pastagens que alimentam a produção leiteira.
A dimensão social está ligada à relação com os produtores, que beneficiam de acompanhamento técnico, formação e uma remuneração superior associada ao cumprimento dos critérios do programa. A dimensão económica surge na valorização da fileira do leite, da marca Terra Nostra e do próprio território açoriano.
Ao reforçar a ligação entre sustentabilidade, produção local e valor de marca, a Bel Portugal procura consolidar a posição da Terra Nostra no mercado e, ao mesmo tempo, projectar esse valor para outras marcas açorianas, mesmo fora do grupo. A mensagem da empresa é de continuidade. Depois de dez anos de programa, o objectivo é prosseguir um caminho que pretende criar valor para todo o ecossistema e deixar uma base mais sólida para o futuro.