A Caixa Agrícola da Costa Azul está a celebrar os 110 anos de existência. Nasceu em maio de 1916 como Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Santiago do Cacém e o primeiro projeto que financiou, com 950 escudos, foi para a plantação de vinha, compra de rações e de adubos.
Hoje está presente em oito concelhos, onde serve 85 mil clientes. Dá emprego a 150 colaboradores em 23 agências e gere um ativo líquido de mais de 1,21 mil milhões de euros, com o suporte de 18 mil sócios e uma rede local que em muitos casos não tem concorrência.
Em 11 localidades da rede de agências não existe nenhum outro banco e em 18 das localidades onde mantém ATM é o único ponto de ligação ao setor financeiro, como nos explica o presidente Rui Gomes, antecipando a conferência para assinalar a efeméride. “Em toda a nossa área de ação e localidades, servimos as respetivas populações e agentes económicos, num ambiente de proximidade que nos proporciona um elevado nível de conhecimento dos seus negócios e necessidades financeiras”, acrescenta o responsável, para sublinhar que a essência da banca cooperativa continua atual e necessária, com as adaptações que mais de um século de história exigiram. O negócio cobre hoje “todos os setores de atividade, desde a agricultura e pesca à indústria, comércio e serviços, construção, imobiliário e apoio às famílias”, numa realidade económica e social que está em destaque no evento de hoje, em Santiago do Cacém.
“Somos um dos principais impulsionadores do desenvolvimento local e regional, captando e retendo as poupanças para financiamento das atividades económicas locais e satisfação das necessidades financeiras das famílias”, conta. E hoje se há tema que condiciona a economia e preocupa as famílias é o da habitação, admite Rui Gomes. “A atual conjuntura impele-nos a ter particular atenção à escassez de oferta de habitação, ao preço elevado e às dificuldades de acesso à habitação” que afeta todo o país e muito também a região, reconhece.
Crise na habitação é uma prioridade de ação
A resposta do banco tem passado por um aumento do financiamento às empresas de construção, que para o gestor foram alvo de “alguma diabolização na sequência da crise do subprime” e que é agora preciso desmontar e “reconhecer a sua verdadeira importância para o desenvolvimento económico e social do país”. Na mesma área, tem crescido o financiamento para cooperativas de habitação, que põem no mercado imóveis a custos controlados.
Do lado dos privados, a estratégia tem passado por manter a competitividade nas condições de crédito para compra e/ou construção, um esforço que segundo Rui Gomes está refletido no aumento exponencial da respetiva carteira.
A estratégia é sempre concretizada com a preocupação de manter uma presença local forte, alicerçada em recursos humanos alinhados com a cultura da empresa e com acesso a formação contínua, sem perder o comboio da inovação e da modernização dos serviços.
Rui Gomes lembra ainda que a força da presença local da Caixa da Costa Azul também passa por uma ação forte ao nível do mecenato, concretizada em donativos e patrocínios a entidades da região. Ou por um papel quase social no apoio aos clientes com maior dificuldade na utilização dos canais e meios digitais, no âmbito da transformação digital que o banco também vem incorporando. Temas que também têm espaço na conferência que assinala o 110.º aniversário da Caixa da Costa Azul.
Banca Cooperativa e desenvolvimento regional em debate
Na conferência que assinala os 110 anos da Caixa da Costa Azul que se realiza hoje no Centro de Formação - Crédito Agrícola Costa Azul, em Santiago do Cacém, o papel da banca cooperativa no desenvolvimento do território é um dos grandes temas em destaque, analisado em duas grandes perspetivas: presente e futuro.
Debate-se em que medida o setor é já hoje determinante para apoiar a economia e as populações nas regiões onde se insere, e que papel terá nos desafios que se antecipam para a economia. Os autores do livro que fez o retrato do impacto da banca cooperativa em Portugal, Luís Reto e Paulo Bento, bem como o economista João Duque, vão ajudar a montar a fotografia do presente e do futuro. Também estão presentes o Presidente do Grupo, Sérgio Raposo Frade, e o Presidente da CCDR do Alentejo, Ricardo Pinheiro.
O evento tem igualmente espaço para distinguir associados e fazer uma retrospetiva aos pontos marcantes da história da instituição. Conta ainda com a participação de altos responsáveis do poder local, da CONFAGRI e da FENACAM. O encerramento está a cargo do secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, Adriano Moreira.