A Atlante foi criada com o propósito de liderar a infraestrutura energética de mobilidade elétrica do sul da Europa e em Portugal o balanço da operação é de um crescimento sustentado e orgânico. Quem o afirma é Carlos Ferraz, general manager Portugal da empresa. O responsável explica que entraram no mercado com o objetivo de ouvir as necessidades dos utilizadores e das empresas e têm sido muito bem recebidos. Mais do que números, o balanço que faz é sobre a confiança que conseguiram estabelecer. “Hoje, a Atlante é reconhecida pela fiabilidade e pela presença crescente nos principais corredores de mobilidade, contribuindo para que a transição elétrica seja uma escolha natural e sem sobressaltos para os portugueses”, refere Carlos Ferraz, que, nesta conversa, revela tudo sobre a Atlante, debruçando-se igualmente sobre o estado atual da mobilidade elétrica no País e os desafios para o futuro.
O que distingue a Atlante de outras empresas do vosso setor?
A nossa diferença reside na forma como simplificamos a tecnologia para o utilizador. Queremos que carregar um veículo seja um ato tão comum e simples como qualquer outra rotina diária. Isto reflete-se na app myAtlante, que foi desenhada para ser intuitiva e direta, e no nosso programa de Loyalty. Através das Green Gems, criámos uma forma de valorizar a preferência dos nossos utilizadores, oferecendo retorno sobre o valor dos seus carregamentos, que tornam a mobilidade elétrica mais acessível. Na Atlante, a inovação serve a conveniência e o nosso foco está em garantir que o hardware de alta potência e o software de fidelização trabalham em harmonia para servir o cliente.
Explique um pouco melhor como funcionam as Green Gems e como ajudam a fidelizar os clientes e a transformar a experiência de carregamento na Atlante?
Acreditamos que a relação com o cliente não termina quando o carregamento acaba. Através do sistema de Green Gems, criámos uma forma simples de agradecer a lealdade de quem nos escolhe. É um programa que traz uma camada de valor adicional, em que a utilização recorrente da nossa rede gera retorno sobre os carregamentos que podem ser usados em carregamentos futuros. Para nós, fidelização significa criar uma experiência positiva e consistente, na qual o utilizador sente que a sua preferência pela Atlante é reconhecida e valorizada.
Que ferramentas disponibiliza a Atlante para ajudar as empresas, portuguesas e de outros países, a medir o impacto ESG das suas frotas elétricas?
As empresas enfrentam hoje o desafio de reportar o seu impacto ambiental com rigor. Para as apoiar, disponibilizamos a plataforma myAtlante Business. Esta ferramenta permite que as empresas, independentemente da sua dimensão ou geografia, tenham acesso a dados precisos sobre o consumo energético e as emissões de CO2 evitadas. É um suporte fundamental para a elaboração de relatórios de sustentabilidade e para o cumprimento dos requisitos ESG. Acreditamos que o nosso papel é fornecer a informação necessária para que cada empresa possa demonstrar o seu compromisso real com a descarbonização perante parceiros e investidores, enquanto tornamos este processo de eletrificação mais simples.
Que soluções de carregamento a Atlante oferece para empresas com grandes frotas e necessidades complexas de operação?
As frotas com operações intensivas necessitam de uma gestão integrada e sem fricções. Com a myAtlante Business, oferecemos uma solução centralizada que permite o controlo total de consumos, faturas unificadas e uma gestão eficiente de cartões. O nosso objetivo é retirar o peso administrativo da transição energética. Através desta plataforma, os gestores de frota podem monitorizar toda a operação em tempo real, garantindo que as necessidades de carregamento são satisfeitas de forma otimizada. Adaptamo-nos às complexidades de cada negócio, oferecendo desde o carregamento na rede pública até soluções que facilitam a logística diária de grandes frotas.
Quais são os principais ganhos económicos que uma empresa pode esperar ao eletrificar a sua frota?
A eletrificação deve ser vista como uma oportunidade de eficiência operacional. Além da redução direta nos custos de combustível, existe um ganho significativo no TCO (Total Cost of Ownership). Em Portugal, o quadro fiscal é bastante favorável para as empresas que optam pelo elétrico, com benefícios ao nível do IVA e da Tributação Autónoma. No entanto, o ganho económico também se reflete na redução de custos de manutenção e na maior previsibilidade de gastos que a gestão digital permite. No final do dia, eletrificar a frota é uma forma de tornar a operação mais leve e financeiramente resiliente a longo prazo.
De que forma a transição melhora o desempenho das empresas nos requisitos de sustentabilidade (ESG)?
Hoje, a sustentabilidade é um fator de competitividade e de credibilidade no mercado. A adoção de frotas elétricas melhora o perfil de sustentabilidade da empresa, permitindo-lhe alinhar-se com as expectativas de investidores e instituições financeiras que privilegiam projetos de baixo carbono. Ao utilizar infraestruturas como a nossa, as empresas não estão apenas a trocar de combustível, mas a integrar-se num modelo de negócio mais ético e responsável, o que facilita o acesso a novas oportunidades de financiamento e fortalece a reputação da marca perante os seus clientes.
Que papel tem a rede de carregamento ultrarrápida na competitividade das empresas portuguesas?
A rede ultrarrápida é um facilitador de produtividade. Para uma empresa que depende da mobilidade, o tempo é um recurso escasso. Ter acesso a pontos de carregamento que permitem recuperar autonomia em poucos minutos significa que a atividade não tem de parar. A infraestrutura da Atlante está desenhada para apoiar esse ritmo, garantindo que a logística e a distribuição continuam fluidas. É este suporte tecnológico que permite às empresas portuguesas manterem-se ágeis e competitivas num mercado que exige cada vez mais rapidez e eficiência.
Que opinião tem da infraestrutura de carregamento em Portugal?
Portugal tem uma infraestrutura de carregamento de referência, que serviu de base à democratização da mobilidade elétrica, mas o mercado exige agora uma evolução para acompanhar o ritmo de aumento de veículos elétricos em circulação. O desafio agora passa por elevar a qualidade e a potência disponível. Na Atlante, vemos a nossa rede como um contributo para este ecossistema nacional. Focamo-nos em garantir que os nossos postos são fiáveis e que acompanham a evolução tecnológica dos novos veículos. A nossa visão é de colaboração com o mercado para garantir que o utilizador final tem sempre a melhor experiência possível, independentemente de onde se encontre.
Atualmente, a mobilidade elétrica já saiu dos grandes centros e está a chegar ao interior do país?
Esse é um dos nossos maiores focos. A mobilidade elétrica não pode ser limitada às grandes áreas metropolitanas. Temos feito um esforço deliberado para colocar postos de carregamento no interior e em zonas de passagem estratégica. O nosso plano de expansão reforça esta visão de coesão territorial. Queremos que qualquer condutor, independentemente de estar no litoral ou no interior, se sinta confiante ao viajar sabendo que encontrará a rede Atlante pronta a apoiá-lo.
Quantos pontos de carregamento tem a Atlante em Portugal? E qual é o objetivo para o fim do ano?
Temos vindo a expandir a nossa rede de forma ponderada e estratégica. Atualmente, contamos com mais de 1.000 pontos de carregamento e uma presença sólida em locais-chave e o nosso compromisso é continuar este investimento. Até ao final do ano, o nosso objetivo é disponibilizar mais 250 pontos de carregamento, distribuídos de norte a sul do país. Mais do que atingir uma meta numérica, o que nos move é garantir que estes novos pontos são instalados onde são mais necessários, reforçando a rede nacional com a potência e a fiabilidade que os condutores esperam da marca Atlante.
Que desafios tem pela frente a rede nacional?
Os principais desafios prendem-se com a rapidez da infraestrutura de rede e a agilização dos processos de ligação. Para que possamos continuar a investir na alta potência, é fundamental que haja uma coordenação próxima entre os operadores, as entidades reguladoras e os gestores da rede elétrica. A celeridade dos processos administrativos é essencial para que o ritmo de investimento privado possa acompanhar a crescente procura por parte dos utilizadores.