A rede de carregamento tem evoluído bastante nos últimos anos em Portugal, mas ainda não é homogénea. Helder Pedro, secretário-geral da ACAP, fala em “avanços na infraestrutura nos últimos anos”, embora continue a haver “assimetrias” no país, “penalizando a coesão territorial e desincentivando a adoção de veículos elétricos fora dos grandes centros urbanos”.
Por isso, a ACAP defende que os concessionários de automóveis, que estão instalados em todas as zonas do país, devem ser abrangidos pelos apoios à instalação de pontos de carregamento. Por outro lado, “continuam a verificar-se constrangimentos relacionados com a fiabilidade e a manutenção dos equipamentos, fatores decisivos na perceção de confiança e conveniência da mobilidade elétrica”. Assim – acredita Helder Pedro –, Portugal precisa de uma estratégia nacional ambiciosa e articulada para a infraestrutura de carregamento, que envolva o Estado, os municípios e os operadores privados.
Por sua vez, Pedro Faria, presidente do conselho diretivo da UVE, fala de uma “transformação profunda” da infraestrutura de carregamento, que se fica a dever às alterações introduzidas pelo novo regime jurídico da mobilidade elétrica, em vigor desde agosto de 2025. “Com vários regulamentos ainda por publicar e com o diploma em apreciação parlamentar, é natural que exista alguma instabilidade e incerteza entre operadores, municípios e utilizadores”, recorda. Para a UVE, este período marcará o futuro da mobilidade elétrica em Portugal. “A rede nacional tem evoluído muito nos últimos anos, mas precisa de um enquadramento estável que permita aos operadores investir com confiança e aos utilizadores usufruir de um serviço fiável. Não consideramos que uma rutura total com o regime anterior seja a solução; defendemos antes um período transitório alargado, em que empresas e utilizadores possam ajustar-se gradualmente, preservando a liberdade de escolha dos utilizadores”, opina.
Já José Domingos, Área Sales Manager da ABB, refere que a infraestrutura de carregamento em Portugal “apesar de insuficiente para o número de carros elétricos que temos em Portugal é das mais desenvolvidas da Europa”.
Os desafios das frotas
Quanto a Pedro Moreira da Silva, CEO da i-charging, aponta os “progressos significativos”, na rede pública de carregamento para veículos ligeiros, no país, mas alerta para “o desfasamento crítico entre a infraestrutura disponível e o crescente número de veículos elétricos, que já existem a circular e face ao crescimento que vai continuar a ter”.
Segundo o responsável da i-charging, para Portugal atingir as suas metas de neutralidade carbónica até 2050, “é fundamental acelerar o desenvolvimento de infraestrutura B2B e B2C”. “As frotas empresariais representam uma fatia significativa das emissões nacionais de transportes, e enfrentam desafios diferentes do carregamento individual: requerem infraestrutura de alta potência com uptime garantido, gestão inteligente para disponibilidade operacional 24/7, integração com sistemas de gestão de frota e soluções que minimizem o impacto na rede elétrica”, informa.
No que toca a a David Carlos, diretor-geral da MAN, a infraestrutura de carregamento em Portugal "tem evoluído de forma significativa nos últimos anos, mas ainda apresenta desafios quando falamos de veículos comerciais pesados". "Para operações urbanas, a cobertura é já satisfatória; no entanto, para camiões e autocarros, é essencial continuar a expandir pontos de alta potência, adequados a veículos de grande porte, e reforçar a fiabilidade das redes. O desenvolvimento de corredores elétricos estratégicos será determinante para acelerar a adoção", conclui.