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A inteligência só tem valor quando se torna ação

No palco do UpHill Summit, o CEO e fundador da UpHill defendeu que os sistemas de saúde precisam de passar da promessa da IA para sistemas que realmente executam e revelou como isso já está a acontecer em Portugal e em Espanha.

11 de Junho de 2026 às 15:32
Eduardo Rodrigues
Eduardo Rodrigues DR

“A inteligência só tem valor quando se transforma em ação.” Foi com esta ideia que Eduardo Rodrigues, CEO e fundador da UpHill Health, subiu ao palco do UpHill Summit 2026 para apresentar a nova versão da plataforma da empresa. Mais do que uma frase feita, o responsável apresentou-a como a base da visão que tem guiado o crescimento da UpHill, ou seja, usar a tecnologia para transformar decisões clínicas em capacidade real de resposta nos sistemas de saúde.

A mensagem estava alinhada com o alerta deixado minutos antes por Pedro Pita Barros, de que os sistemas de saúde estão sob pressão e já não conseguem responder da mesma forma. Eduardo Rodrigues foi direto ao problema. “Os sistemas de saúde estão sob uma pressão enorme: mais regulação, tempos de espera a aumentar, falta de profissionais e custos cada vez mais elevados”, afirmou. Para o CEO da UpHill Health, a inteligência artificial só fará diferença se mudar verdadeiramente a forma como os cuidados são prestados. Segundo explicou, a primeira vaga de IA limitou-se a acrescentar tecnologia aos mesmos processos, sem resolver os problemas estruturais dos hospitais e dos profissionais. Eduardo Rodrigues criticou também a forma como a digitalização foi implementada em muitos sistemas de saúde, onde os registos clínicos eletrónicos, criados para aumentar eficiência, acabaram muitas vezes por aumentar a carga administrativa dos clínicos. “Não podemos usar os ciclos tecnológicos mais poderosos para preservar o status quo”, disse. “Os sistemas de saúde simplesmente não se podem dar a esse luxo”, alertou Eduardo Rodrigues.

Para Eduardo Rodrigues, o problema dos sistemas de saúde não está na falta de conhecimento clínico. Está no que acontece ou deixa de acontecer depois de a decisão ser tomada. “A receita que nunca foi prescrita, o rastreio positivo que nunca foi referenciado ou o seguimento que nunca aconteceu são exemplos de inteligência que não chegou a transformar-se em ação”, explicou o CEO da UpHill Health. Segundo o responsável, estas falhas tornam-se críticas em organizações com milhares de doentes, múltiplas equipas e fluxos clínicos altamente complexos. “Os clínicos acabam por segurar o sistema manualmente. E isso torna a vida deles impossível”, afirmou o especialista.

A proposta da UpHill passa por automatizar partes do percurso clínico para reduzir tarefas repetitivas e evitar ruturas no acompanhamento dos doentes. Numa primeira fase, o objetivo é preparar automaticamente o contexto clínico antes da consulta com informação organizada, notas clínicas pré-estruturadas e próximos passos definidos. “O clínico começa a pensar não a procurar”, resumiu Eduardo Rodrigues.

Depois surge a gestão automatizada de populações, com seguimentos, check-ins e tarefas de rotina geridos pelo sistema, reduzindo o trabalho administrativo e diminuindo o risco de falhas. A fase mais avançada é a automação parcial de cuidados para doentes de baixo risco, sempre com supervisão humana.

Eduardo Rodrigues
Eduardo Rodrigues, CEO e fundador da UpHill Health DR

Enquanto o setor debate, Portugal já utiliza

Eduardo Rodrigues procurou ancorar a apresentação em exemplos concretos. Um deles foi o SNS24, a linha de triagem telefónica do Serviço Nacional de Saúde português, no qual a tecnologia da UpHill já suporta processos de triagem clínica através de voz e motores clínicos certificados. O sistema identifica sintomas, reconhece sinais de alerta e encaminha os doentes para o nível de cuidados adequado.

Além de Portugal, a plataforma está também implementada no Serviço Regional de Saúde da Cantábria, em Espanha, nos serviços de urgência e unidades de cuidados de saúde primários. A conferência incluiu um testemunho em vídeo de responsáveis do sistema de saúde cantábrico, que descreveram a adoção da plataforma como um projeto estratégico assente na capacidade de adaptação rápida. "Ficámos surpreendidos pela agilidade com que o sistema respondeu às nossas exigências, adaptando-se em tempo e forma ao que pedíamos", afirmaram.

Não substitui o médico, dá-lhe tempo

Ao longo da intervenção, Eduardo Rodrigues insistiu na ideia de que a tecnologia não pretende substituir médicos ou enfermeiros. “Trata do trabalho que os profissionais teriam de fazer de qualquer forma e entrega-o às equipas”, afirmou.

A segurança e a supervisão clínica foram apresentadas como elementos centrais da plataforma criada por três médicos que conheceram de perto os desafios do Sistema de saúde. Segundo explicou, cada recomendação segue percursos clínicos sustentados por evidência científica, todas as decisões são registadas e o sistema exige sempre a validação humana. “Um sistema único e integrado, que gere os fluxos de informação, de comunicação e executa em toda a organização de saúde", concluiu Eduardo Rodrigues.

O que há de novo na plataforma

Gestão populacional – Vista única de todos os doentes, por urgência e fase do percurso clínico.

Conversas naturais com IA (Hilly) – Doentes descrevem sintomas por voz, chat, formulário ou app, sem menus rígidos.

Interoperabilidade reforçada – Agentes de IA que recolhem e trocam informação com sistemas hospitalares, incluindo infraestruturas complexas.

Automação e scribe clínico – Prescrições, agendamentos e notas clínicas, propostos e registados automaticamente nos sistemas hospitalares.

Percursos clínicos flexíveis – Doentes com múltiplas condições navegam por diferentes percursos sem ficarem presos a um único algoritmo.

550unidades
de saúde em Portugal e em Espanha. E três mercados ativos: Portugal, Espanha e, mais recentemente, Reino Unido.
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