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2020 é o ano mais mortífero para os "defensores ambientais", diz Global Witness

Quase um terço das 227 mortes está relacionado com a exploração de recursos, como mineração, extração de madeira e projetos de barragens. 

Lusa 13 de Setembro de 2021 às 19:44
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Pelo menos 227 pessoas morreram em 2020 a defender as suas casas, terrenos e meios de subsistência da exploração ambiental, à medida que o aprofundamento da crise climática opõe interesses económicos às comunidades locais, indicou hoje a Global Witness.

Segundo dados compilados num relatório da organização ambientalista, este total é o mais elevado desde que a Global Witness começou a recolher informações sobre ataques a "defensores ambientais", em 2012. 

Quase um terço das mortes está relacionado com a exploração de recursos, como mineração, extração de madeira e projetos de barragens.  "Ficou claro que a exploração irresponsável e a ganância que a crise climática está a impulsionar também está a gerar violência contra os defensores da terra e do meio ambiente", refere-se no relatório.

Todas as mortes, à exceção de uma, ocorreram em países em desenvolvimento no hemisfério sul e onde as autoridades não conseguiram conter a exploração madeireira, a mineração e o desenvolvimento industrial, frisou a organização.

Mais da metade das mortes aconteceu em apenas três países: Colômbia, México e Filipinas. A Colômbia registou o maior número de mortes pelo segundo ano consecutivo, com 65, à frente do México (30) e das Filipinas (29).

As conclusões da Global Witness "são horríveis, mas esperadas", referiu Mary Lawlor, especialista independente da ONU em defesa dos direitos humanos, que conduziu investigações semelhantes.

"A corrupção nos sistemas de justiça criminal muitas vezes protege governos e empresas responsáveis por esses assassínios e os culpados raramente são levados à justiça"', realçou Lawlor, em declarações à agência noticiosa à Associated Press (AP). 

"Até que haja vontade política para impedir essas mortes, até que essa corrupção seja erradicada, provavelmente veremos centenas de assassínios de defensores dos direitos humanos, incluindo os muitos que defendem o meio ambiente", acrescentou.

A ameaça aos defensores ambientais tem aumentado constantemente desde o primeiro relatório da Global Witness, em 2012, quando a organização contabilizou 147 assassínios em todo o mundo.

"[Os defensores do ambiente] correm riscos porque vivem em ou perto de algo que alguma empresa está a exigir!", escreveu Bill McKibben, um importante investigador sobre as mudanças climáticas, autor e académico residente no Middlebury College, em Vermont, numa adenda ao relatório. 

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