Banca atira Wall Street para o pior mês desde março. Netflix dispara 14% e Paramount 21%
O colapso de uma empresa britânica de crédito hipotecário contagiou Wall Street e levou os gigantes da banca a perderem mais de 5%. O sentimento foi ainda penalizado por uma inflação persistente, num dia em que só houve vencedores na corrida à Warner Bros.
Os principais índices norte-americanos terminaram a derradeira sessão de fevereiro em território negativo, num dia em que os setores tecnológico e financeiro estiveram sob grande pressão. Além dos receios em torno da sustentabilidade do "rally" da inteligência artificial, os investidores também estiveram a reagir ao colapso da empresa britânica de crédito hipotecário Market Financial Solutions - o que alimentou preocupações de um possível contágio pelo resto do setor, à medida que surgem mais "baratas", como o CEO do JPMorgan as descreve, no setor do crédito privado.
O S&P 500 terminou a sessão com perdas de 0,43% para 6.878,88 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cedeu 0,92% para 22.668,21 pontos e o industrial Dow Jones deslizou 1,05% para 48.977,92 pontos. Os dois primeiros índices terminaram fevereiro com o pior desempenho desde março do ano passado, penalizados, em grande parte, pelas preocupações em torno da IA e pelas políticas erráticas de Donald Trump.
O setor bancário norte-americano chegou a afundar mais de 6% esta sexta-feira, levando as cotadas a mínimos de dezembro do ano passado, com os gigantes Goldman Sachs, Citi e Morgan Stanley a encerraram a sessão com perdas superiores a 5%. Com os "spreads" no crédito a aumentarem e o colapso da Market Financial Solutions, apoiada por uma série de bancos de investimentos de Wall Street, os investidores temem um aumento de incumprimentos no mundo pouco transparente do crédito privado.
"Mais preocupações com as 'baratas' para os bancos", resume o analista Mike Mayo, do Wells Fargo, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "Novas questões relacionadas com o crédito lembram-nos que os ciclos de crédito não foram eliminados. Continuamos a observar que os bancos aumentaram os empréstimos nesta década bem abaixo do PIB, o que implica que os riscos maiores residem nos bancos paralelos não regulamentados", escreve ainda.
O sentimento foi ainda pressionado por novos dados da inflação. O índice de preços no produtor em janeiro subiu muito mais do que era antecipado, registando uma aceleramento em cadeia de 0,5% contra as expectativas de 0,3%, o que está a deixar os investidores menos otimistas em relação ao próximo corte nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana. O mercado de "swaps" aponta agora para um alívio apenas em setembro.
Entre as principais movimentações de mercado, a Netflix disparou 13,75% e a Paramount escalou 20,84%, depois de a última ter conseguido vencer a corrida à compra da Warner Bros. - o estúdio centenário de Hollywood que detém franquias icónicas como a DC e Harry Potter. Os investidores estão a celebrar o facto de a gigante do "streaming" ter abandonado as suas pretensões de compra do estúdio, tendo considerado que subir a proposta não seria financeiramente rentável.
Por sua vez, a Nvidia continuou a cair e acabou o dia com perdas de 4,16%, depois de já ter afundado mais de 5% na sessão passada, com os seus resultados históricos a não serem suficientes para eclipsar os receios em torno da IA que têm assombrado o mercado.
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