S&P mantém notação mas sobe “outlook” de Portugal
A agência de rating decidiu não alterar a notação da dívida nacional na avaliação desta sexta-feira, mas melhorou a perspetiva para positiva, apesar dos efeitos das tempestades. “Esperamos que o impacto económico da tempestade Kristin seja em grande parte localizado e temporário", refere.
A agência de notação S&P decidiu manter esta sexta-feira o rating de Portugal em A+, mas elevou a perspetiva para positiva, na mais recente avaliação da qualidade da dívida soberana nacional, apesar do impacto económico das tempestades que assolaram o país.
A agência manteve a notação de Portugal no quinto patamar mais elevado da sua escala, sinalizando com a revisão em alta do "outlook" que o rating poderá ser melhorado nas próximas revisões. A decisão contraria as previsões dos analistas, que previam que o "outlook" também se mantivesse em estável, além do rating, que a S&P elevou por duas vezes consecutivas em 2025.
No comunicado em que anuncia a decisão, a agência pronuncia-se sobre o efeito na economia das tempestades que assolaram o país nas últimas semanas. “Esperamos que o impacto económico da tempestade Kristin seja em grande parte localizado e temporário.”
A agência assinala que as estimativas preliminares do governo apontam para custos diretos de reconstrução de 4 mil milhões de euros, ou cerca de 1% do PIB. “Isto deve traduzir-se num redirecionamento do investimento para a reconstrução entre 2026-2027, em vez de um aumento material no investimento agregado”, refere.
A agência considera que, “embora a atividade nas regiões afetadas vá ser pertubada, o pacote de apoio do governo (…) vai mitigar os danos económicos”. A previsão da S&P é de que o crescimento se mantenha pouco abaixo dos 2% entre 2026 e 2029, suportado pelas fortes finanças das empresas e famílias, transferências da UE, significativa imigração líquida e a competitiva estrutura de custos para o setor produtivo – incluindo preços mais baixos da energia do que os pares da UE.
Apesar do impacto das tempestades, a S&P prevê ainda que Portugal mantenha uma posição orçamental equilibrada entre 2026 e 2029. Em 2026, “os custos de reconstrução devem acrescentar cerca de 0,3% do PIB à despesa. Ainda assim, esperamos que o saldo orçamental se mantenha próximo da meta de um excedente de 0,1% anunciado antes desta medida de emergência”.
Desta forma, a agência espera que "as políticas continuem a focar-se numa sólida gestão orçamental, gerando emprego e impulsionando o investimento, particularmente no setor dos serviços de rápido crescimento”, assinala a S&P.
O outlook positivo reflete também as suas "expectativas de que Portugal continue a fazer descer a dívida pública líquida, suportado por uma sólida gestão orçamental e um crescimento económico robusto".
De acordo com as previsões da agência, "o crescimento económico resiliente e a prudente posição orçamental vai levar a uma acentuada trajetória de descida da dívida pública face ao PIB, que antecipamos que vai cair para menos de 80% em 2027.
Esta foi a segunda avaliação do ano, depois de a DBRS ter mantido o rating de Portugal no quinto patamar mais elevado da sua escala, à semelhança da S&P. A Fitch, que avalia o rating nacional na próxima semana, coloca o rating no sexto nível, enquanto a Moody’s ainda tem a notação no sétimo lugar da tabela.
Mais lidas