Cavaco calcula que recessão este ano possa ficar entre 2,5 e 3%

O Presidente da República, Cavaco Silva, disse hoje que calcula que a recessão em Portugal possa ficar entre os 2,5 e os 3%, previsões mais optimistas que a de instituições internacionais e, no limiar inferior, do próprio Governo.
Lusa 26 de Maio de 2012 às 12:29

"Não me surpreenderia que a queda do produto no ano 2012 fosse cerca de 2,5 a 3%, mas temos de aguardar pela evolução dos próximos trimestres", disse.

A previsão mais recente do Governo para a recessão portuguesa é de 3%, enquanto a da OCDE é de 3,2% e do FMI e Comissão Europeia de 3,3%.

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Perante a plateia de empresários portugueses, Cavaco Silva apresentou em 20 minutos o panorama da economia nacional, lembrando que o país está sob ajuda externa e destacando os aspectos positivos e negativos que detectou.

Do lado positivo, o chefe de Estado salientou as boas avaliações da troika, a coesão política e social de apoio "no essencial" ao programa de ajuda externa e o sentido de responsabilidade dos portugueses perante os sacrifícios.

"De alguma forma no subconsciente dos portugueses há o reconhecimento de que havia que mudar de vida, havia que reequilibrar alguns desequilíbrios que construímos a partir da adesão à moeda única", afirmou Cavaco Silva.

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Para o chefe de Estado, Portugal não conseguiu adaptar as suas políticas às exigências do euro, nomeadamente a disciplina orçamental e o aumento da competitividade da economia portuguesa.

Como pontos mais negativos da economia portuguesa, o Presidente da República destacou a escassez de crédito - que espera venha a resolver-se no final deste ano ou início do próximo - e o desemprego.

"Houve um aumento significativo do desemprego em Portugal, atingindo significativamente o desemprego jovem. Números muito elevados que contrastam com a tradição portuguesa de ter taxas abaixo da média europeia", assinalou.

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Ainda assim, o Presidente da República deixou um apelo aos empresários portugueses na Austrália para que difundam uma mensagem positiva sobre o país.

"Nós queremos contar com os empresários e gestores portugueses na Austrália para difundir uma imagem do país consentânea com a nossa realidade, notamos frequentemente que é distorcida por analistas e meios de comunicação social estrangeiros", apelou, numa das últimas iniciativas da sua visita oficial de dois dias à Austrália.

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