Economia paralela emprega 13,8 milhões de brasileiros

No Brasil existem 10,3 milhões de empresas informais, que geram empregos para mais de 13,8 milhões de pessoas, segundo a pesquisa publicada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio
Bárbara Leite 19 de Maio de 2005 às 19:50

No Brasil existem 10,3 milhões de empresas informais, que geram empregos para mais de 13,8 milhões de pessoas, segundo a pesquisa publicada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Os dados colectados, e hoje publicados, referem-se a 2003.

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Esta é a segunda vez que a entidade elabora uma pesquisa sobre o trabalho informal apesar do forte impacto causado na economia.

Comparado com a primeira pesquisa, de 1997, quando havia 9,5 milhões de informais, o novo estudo evidencia um crescimento de 9% no segmento e aumento de 8% nos postos de trabalho.

Do total, 88% representam empresários sem empregados e 12% são formados por pequenos empregadores. No comércio e reparação, estão 33% do total, na construção civil 17% e na indústria de transformação 16%. Na grande maioria das empresas pesquisadas (80%) o dono trabalha sozinho, enquanto em 12,2% dos casos o proprietário contrata um empregado.

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Quanto ao local de funcionamento, a pesquisa mostra que 65% dos empreendimentos pesquisados actuam fora do domicílio, enquanto 27% trabalham dentro de casa.

Em 2003, a maioria dos proprietários trabalhava somente no sector paralelo, pois apenas 10% tinham mais de um emprego.

Os dados também mostram que apesar de ter havido um aumento do trabalho informal, muito por conta do aumento do desemprego, o bolso dos empresários informais está mais vazio. Em 1997, por exemplo, os informais que trabalhavam sozinhos "suavam a camisa" para facturar em média 1,4 mil reais (450 euros). Mas em 2003, era preciso muito malabarismo para conseguir 1,1 mil reais (352 euros).

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A definição de informal do IBGE não é a tradicional, de empresas sem registo. A pesquisa teve em conta as unidades económicas, de propriedade de trabalhadores por conta própria e de empregadores com até cinco empregados e que moram em áreas urbanas, com contabilidade simples, baixa escala de produção, organização simples e quase nenhuma separação entre o capital e o trabalho.

*Correspondente em São Paulo

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