UGT rejeita por unanimidade proposta de revisão da lei laboral

Estrutura rejeitou a atual proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo, considerando que houve "reduzido avanço" negocial em, pelo menos, dez matérias centrais. Espera, porém, que esses avanços não sejam agora "desvalorizados". Ministério do Trabalho diz que só reage após ter informação oficial da posição.
Mário Mourão, secretário-geral da UGT
Tiago Petinga / Lusa - EPA
Maria Caetano 14:50

O secretariado nacional da UGT rejeitou, por unanimidade, a proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo e apelou à continuação das negociações, pese embora a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social ter já dado a indicação de que o período de discussão que mantinha fora da Concertação Social com a central e confederações patronais estará terminado, esperando uma consulta "definitiva" dos parceiros sobre as alterações.

Na resolução aprovada, a central "constata a ainda insuficiente aproximação negocial e afirma que a proposta, tal como está, não permite ainda alcançar consensos".  "É esta a posição que a UGT levará à Concertação Social, onde se deve dar o passo seguinte neste processo negocial", refere.

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Contactado, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social refere que apenas se irá pronunciar após ser oficialmente informado da posição da estrutura sindical.

No documento, os membros do secretariado nacional da UGT afirmam que o processo negocial que decorreu ao longo de mais de oito meses desde a apresentação, em julho do ano passado, de um anteprojeto inicial de revisão,  "não evoluiu conforme as expectativas" e consideram ainda que as propostas  feitas pela central "não foram consideradas", referindo-se a matérias como a redução da jornada de trabalho, o aumento das compensações por despedimento e dos pagamentos do trabalho suplementar e noturno, a reposição de descansos compensatórios, o reforço do papel do salário mínimo, ou a responsabilidade solidária no recurso ao outsourcing, entre outras.

Mas, sobretudo, concluem, não foram afastadas aquelas que eram as principais objeções da central, nas quais terá havido "reduzido avanço". 

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Acima de tudo, o facto que mais se destaca é o reduzido avanço nas questões que sempre considerámos centrais no quadro das discussões realizadas. Resolução do secretariado nacional da UGT

A resolução aprovada cita dez pontos, numa lista que diz ser não exaustiva, nos quais a aproximação do Governo não terá sido suficiente e que justificarão a rejeição dos atuais planos do Governo: "a manutenção do aumento da duração dos contratos a termo e o alargamento dos fundamentos à sua celebração, beneficiando grandes empresas e tornando mais vulneráveis idosos, jovens e desempregados"; "a manutenção da eliminação da garantia da reintegração após um despedimento ilegal, colocando em causa a segurança no emprego"; "a manutenção da reintrodução do banco de horas individual, dando poder ao empregador para desregular horários com redução de custos e sem compensações efetivas"; "a manutenção da possibilidade de mudança de categoria com perda de retribuição por deferimento tácito da ACT"; "a manutenção da não aplicação das convenções coletivas aos trabalhadores em outsourcing, tornando mais baratos o trabalho e fomentando a substituição/despedimento de trabalhadores"; "a manutenção da eliminação de exigências de fundamentação de denúncia da convenção coletiva, com a vontade injustificada e infundada do empregador a poder imperar"; a "manutenção da eliminação da arbitragem de apreciação da denúncia e arbitragem necessária após sobrevigência, dando poder ao empregador para fazer cair convenções pelo mero decurso do tempo e sem negociar"; "a manutenção da possibilidade (pior, aliás, que na versão inicial do anteprojecto) de extensão de uma convenção coletiva ao nível da empresa por mera vontade do empregador, desvalorizando a vontade dos trabalhadores e de quem os representa"; "a manutenção da generalização dos serviços mínimos da greve, deixando milhares de trabalhadores fora deste direito fundamental"; e "a manutenção das restrições à atividade sindical nas empresas sem trabalhadores filiados, negando a relevância do papel dos sindicatos na defesa dos trabalhadores".

"Algumas das propostas mantêm uma visão que vai no sentido de uma maior individualização das relações laborais, da liberalização e precarização do mercado de trabalho e da restrição da atuação dos sindicatos, na greve, na negociação coletiva e nos locais de trabalho", considera a UGT.

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A rejeição da central sindical, na ausência de novas propostas do Governo, inviabiliza qualquer acordo na comissão Permanente de Concertação Social, que exige a assinatura de pelo menos uma estrutura sindical representada. A CGTP, recorde-se, pede até aqui a retirada completa da proposta de revisão laboral da ministra Rosário Palma Ramalho e não dará também a sua assinatura. A intersindical, de resto, não tem sido convidada a participar no processo negocial que o Governo tem mantido fora da sede da Concertação Social.

Em caso de ausência de um acordo com os parceiros sociais, a ministra do Trabalho admitiu a possibilidade de entregar no Parlamento a versão inicial de revisão das leis laborais apresentada há oito meses, afastando assim os pontos nos quais a UGT obteve alguma convergência, mesmo se considerada insuficiente. A central, recorde-se, esteve em dezembro com a CGTP na realização de uma greve geral, mas manteve-se no processo negocial, argumentando que assim seria possível, pelo menos, tentar melhorar as propostas do Governo.

Na resolução aprovada, o secretariado nacional da UGT "espera que os avanços já verificados e o trabalho do diálogo social não sejam desvalorizados", e mostra-se disponível para continuar "a apresentar propostas em processo negocial".

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Atualizado às 16h37 com informação de que o Ministério do Trabalho aguarda ainda informação oficial para se pronunciar sobre a decisão da UGT.


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