EUA e Índia anunciam consenso para acordo comercial provisório

A declaração conjunta surgiu depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um plano para reduzir as tarifas de importação sobre a Índia.
Mark Schiefelbein / AP
Lusa 11:49

A Índia e os Estados Unidos anunciaram um consenso para um acordo comercial provisório que visa reduzir as tarifas sobre os produtos indianos, o que a oposição de Nova Deli acusou de favorecer Washington.

A declaração conjunta surgiu depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado na semana passada um plano para reduzir as tarifas de importação sobre a Índia, seis meses depois de ter imposto taxas elevadas para pressionar Nova Deli a diminuir a dependência do petróleo russo.

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De acordo com o acordo, as tarifas sobre os produtos da Índia seriam reduzidas de 25% para 18%, depois de o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ter concordado em deixar de comprar petróleo russo, disse Trump.

Os dois países classificaram o acordo como "recíproco e mutuamente benéfico" e manifestaram o compromisso em trabalhar no sentido de um acordo comercial mais amplo que "incluirá compromissos adicionais de acesso ao mercado e apoiará cadeias de abastecimento mais resilientes".

A Índia também "eliminará ou reduzirá as tarifas" sobre todos os produtos industriais dos Estados Unidos (EUA) e uma vasta gama de produtos alimentares e agrícolas, afirmou o comunicado.

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Trump tinha dito que a Índia começaria a reduzir a zero as taxas de importação sobre os produtos norte-americanos e compraria 500 mil milhões de dólares (423 mil milhões de euros) em produtos vindos dos EUA.

O chefe de Estado assinou na sexta-feira uma ordem executiva para revogar uma tarifa separada de 25% que tinha imposto em 2025 sobre os produtos indianos.

Os partidos políticos da oposição da Índia criticaram o acordo, dizendo que favorece os EUA e afeta negativamente setores sensíveis, como a agricultura. No passado, Nova Deli opôs-se a tarifas sobre setores como a agricultura e os laticínios, que empregam a maior parte da população indiana.

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O ministro do Comércio da Índia, Piyush Goyal, disse que o acordo protege "produtos agrícolas e produtos lácteos sensíveis", incluindo milho, trigo, arroz, etanol, tabaco e alguns vegetais.

O acordo "abrirá um mercado de 30 biliões de dólares [25,4 biliõs de euros] para os exportadores indianos", disse Goyal numa publicação nas redes sociais, referindo-se ao Produto Interno Bruto (PIB) anual dos EUA.

O ministro previu que o aumento das exportações irá criar centenas de milhares de novas oportunidades de emprego.

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Goyal disse ainda que as tarifas serão reduzidas a zero para uma vasta gama de produtos indianos exportados para os EUA, incluindo medicamentos genéricos, pedras preciosas e diamantes, e peças de aeronaves, aumentando ainda mais a competitividade das exportações do país.

A Índia e a União Europeia (UE) chegaram recentemente a um acordo de comércio livre que poderá abranger até dois mil milhões de pessoas, após quase duas décadas de negociações.

Este acordo permitiria o comércio livre de quase todos os produtos entre os 27 membros da UE e a Índia, abrangendo tudo, desde têxteis a medicamentos, e reduzindo os elevados impostos de importação para vinhos e automóveis europeus.

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A Índia assinou também um acordo de parceria económica abrangente com o Omã em dezembro e concluiu as negociações para um acordo de comércio livre com a Nova Zelândia.

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